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Israel invade o Líbano por terra e intensifica ataques na capital Beirute

Segundo uma fonte do Hamas que pediu anonimato, a vítima seria Wisam Taha, identificado como um alto dirigente do movimento palestino. O Hamas mantém aliança política e militar com o Hezbollah, organização apoiada pelo Irã.

Israel invade o Líbano por terra e intensifica ataques na capital Beirute

Libaneses do sul estão denunciando o uso de fósforo branco, uma substância química que, em contato com o oxigênio, entra em combustão espontânea.

Um ataque de Israel atingiu o subúrbio sul de Beirute na noite de domingo (15), segundo meios de comunicação libaneses, após o Exército israelense ter emitido horas antes uma ordem de evacuação para vários bairros da região. Na cidade de Sidon, no sul do país, um alto dirigente do Hamas teria sido morto em outro ataque israelense, de acordo com uma fonte do grupo ouvida pela AFP.

A agência oficial Agence Nationale d’Information informou que uma pessoa morreu após um bombardeio atingir um apartamento em um prédio residencial em Sidon. Segundo uma fonte do Hamas que pediu anonimato, a vítima seria Wisam Taha, identificado como um alto dirigente do movimento palestino. O Hamas mantém aliança política e militar com o Hezbollah, organização apoiada pelo Irã.

Também no domingo, veículos de imprensa locais relataram que um bombardeio israelense atingiu os subúrbios do sul de Beirute durante a noite. O ataque ocorreu após o Exército de Israel ordenar a evacuação de áreas da região, que nas últimas semanas se tornaram alvo frequente de ataques por serem consideradas redutos do Hezbollah.

Já nesta segunda-feira (16), o Exército de Israel anunciou o início de “operações terrestres limitadas” no sul do Líbano contra o Hezbollah. Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel disseram que a ação tem como objetivo “estabelecer e fortalecer uma postura defensiva avançada” por meio da destruição de infraestrutura do grupo armado.

Correspondentes da AFP na capital libanesa afirmaram ter ouvido uma forte explosão durante a noite. A ofensiva se soma a uma série de ataques realizados contra bairros do sul de Beirute nas últimas duas semanas, enquanto Israel mantém alertas para retirada de civis dessas áreas.

No sul do país, integrantes da Força Interina das Nações Unidas no Líbano afirmaram ter sido alvo de disparos três vezes no domingo, provavelmente efetuados por grupos armados não estatais. Dois dias antes, outro posto da missão havia sido atingido por tiros que a agência Ani atribuiu a Israel.

Libaneses do sul estão denunciando o uso de fósforo branco, uma substância química que, em contato com o oxigênio, entra em combustão espontânea. Geralmente é utilizado em formato de bomba, envolvido em uma espécie de película, que explode quando atinge o solo.

Ao mesmo tempo, o Hezbollah afirmou ter realizado uma série de ataques contra posições militares israelenses e tropas posicionadas no sul do território libanês. Segundo autoridades do Líbano, o número de mortos em ataques israelenses chegou a 850, enquanto mais de 830 mil pessoas se registraram como deslocadas. Cerca de 130 mil delas estão em abrigos coletivos.

O Líbano foi arrastado para a guerra regional em 2 de março, quando o Hezbollah lançou ataques contra Israel em resposta à morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, morto dois dias antes em bombardeios realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra território iraniano.

Israel respondeu com bombardeios contra o país vizinho e incursões terrestres em áreas de fronteira. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, descartou neste domingo a possibilidade de negociações diretas com o Líbano para encerrar o conflito. “A resposta é não”, afirmou a jornalistas ao ser questionado sobre a possibilidade de diálogo.

Apesar disso, uma fonte libanesa havia afirmado no sábado que negociações estavam “na agenda”, desde que houvesse um compromisso israelense com uma trégua ou cessar-fogo.