
“Cadê a diretora dessa faculdade? Cadê o reitor? Cadê o secretário de Ciência e Tecnologia? Cadê o governador do estado? […] Vocês estão tomando um prédio público. Não é legítimo tomar um prédio público”, disse a vereadora.
A vereadora paulistana Janaina Paschoal (PP) discutiu com estudantes grevistas da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), nesta sexta-feira (23/4). A parlamentar, que é professora da instituição, se incomodou com as barreiras montadas pelos alunos para impedir o acesso às salas de aula e gritou com o grupo.
Um vídeo recebido pelo Metrópoles mostra o momento da confusão. Janaina está em um corredor quando passa a criticar o movimento. “Cadê a diretora dessa faculdade? Cadê o reitor? Cadê o secretário de Ciência e Tecnologia? Cadê o governador do estado? […] Vocês estão tomando um prédio público. Não é legítimo tomar um prédio público”, disse a vereadora.
Os estudantes da Faculdade de Direito aprovaram a adesão à greve da USP em uma assembleia nesta quinta-feira (23/4), por 902 votos a 459. Entre outras pautas, o grupo pede melhorias nos restaurantes universitários, conhecidos como bandejões, que têm apresentado problemas, como a presença de larvas na comida e desabastecimento de proteínas.
Em nota ao Metrópoles, o Centro Acadêmico XI de Agosto, que representa os estudantes, disse que, “como estratégia de mobilização, foram organizados piquetes para interromper as atividades acadêmicas da graduação, visando dar visibilidade às pautas do movimento”.
“A vereadora e professora do Departamento de Direito Penal, Janaina Paschoal, manifestou-se contrariamente à paralisação. Na ocasião, a docente atravessou o bloqueio organizado pelos estudantes, o que resultou em uma discussão com os alunos que defendiam a continuidade do protesto e o exercício do direito de manifestação”, diz a nota do centro acadêmico.
Também ao Metrópoles, Janaina disse que entrou na faculdade de manhã ao retirar “uma das muitas cadeiras que colocaram na porta”. “Eu me voluntariei a, juntamente com os funcionários, desobstruir as entradas, por se tratar de um prédio público e por não haver direito de greve do tomador do serviço”, disse a vereadora.
A parlamentar afirmou que a conversa foi “muito mais longa” do que aparece no vídeo e criticou as barreiras feitas pelos estudantes. “Não é possível um grupo pequeno de alunos se impor a todos os professores e aos demais estudantes, que estão com medo”, afirmou.
Nesta sexta, a reitoria da USP atendeu a uma das demandas dos alunos e revogou uma minuta que restringia o uso de espaços estudantis. Representantes da universidade têm uma reunião marcada com os alunos para a próxima terça-feira (28/4).





