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Reportagem do La Nación aponta suposta propina de US$ 5 milhões a Milei em escândalo com criptomoedas

Segundo a apuração, o empresário norte-americano Hayden Davis transferiu mais de US$ 5 milhões em ativos digitais no início de fevereiro de 2025, poucos dias depois de uma reunião com Milei na Casa Rosada e cerca de duas semanas antes...

Reportagem do La Nación aponta suposta propina de US$ 5 milhões a Milei em escândalo com criptomoedas

Um dos elementos mais sensíveis revelados pela reportagem é uma anotação encontrada no telefone celular de Novelli. O documento descreve um suposto acordo de US$ 5 milhões envolvendo o apoio de Milei ao projeto, prevendo inclusive um pagamento inicial de US$ 1,5 milhão no momento do anúncio público da criptomoeda.

Novas revelações publicadas pelo jornal argentino La Nación ampliam as suspeitas em torno do escândalo da criptomoeda $LIBRA e apontam para a existência de um suposto acordo de US$ 5 milhões relacionado ao apoio do presidente Javier Milei ao projeto. A reportagem reúne documentos, registros de transferências bancárias e mensagens extraídas de celulares apreendidos que passaram a integrar as investigações conduzidas pela Justiça argentina.

Segundo a apuração, o empresário norte-americano Hayden Davis transferiu mais de US$ 5 milhões em ativos digitais no início de fevereiro de 2025, poucos dias depois de uma reunião com Milei na Casa Rosada e cerca de duas semanas antes do lançamento da $LIBRA. Os recursos foram enviados a contas vinculadas ao trader colombiano Camilo Rodríguez Blanco e ao aposentado Orlando Mellino, ambos ligados, segundo a investigação, a uma financeira situada em Vicente López e associada ao lobista e operador de criptomoedas Mauricio Novelli.

Um dos elementos mais sensíveis revelados pela reportagem é uma anotação encontrada no telefone celular de Novelli. O documento descreve um suposto acordo de US$ 5 milhões envolvendo o apoio de Milei ao projeto, prevendo inclusive um pagamento inicial de US$ 1,5 milhão no momento do anúncio público da criptomoeda.

A coincidência entre o valor mencionado na anotação e o montante efetivamente transferido por Hayden Davis tornou-se uma das principais linhas de investigação. Até o momento, contudo, a Justiça argentina não concluiu que o suposto acordo tenha sido executado nem comprovou que recursos tenham chegado ao presidente ou a integrantes de seu governo.

As transferências ocorreram em 3 de fevereiro de 2025, quatro dias após Hayden Davis ter sido recebido por Milei na Casa Rosada. Na ocasião, o presidente argentino afirmou publicamente que o empresário o assessorava em iniciativas relacionadas à tecnologia blockchain.

A investigação também identificou vínculos entre os destinatários das transferências e a financeira utilizada por Mauricio Novelli. Orlando Mellino é pai de Diego Mellino, sócio do estabelecimento ao lado de Eric Feldsztejn e Darío Rozental. Camilo Rodríguez Blanco, por sua vez, atua como trader e também estaria ligado à mesma estrutura financeira.

Outro elemento citado pelo La Nación são mensagens extraídas do celular de Novelli que mostram o uso da financeira para movimentações relacionadas à sua academia de trading. Em uma das conversas, ele orienta a retirada de dinheiro para entrega à “secretária de Milei”, expressão cuja interpretação também integra as apurações. As mensagens, por si só, não demonstram que os recursos tenham sido destinados ao presidente ou a sua irmã, Karina Milei, secretária-geral da Presidência.

Hayden Davis afirmou ainda que, no dia do lançamento da $LIBRA, estava reunido com integrantes do entorno de Milei na Casa Rosada e que o presidente participou das conversas por telefone. A declaração contrasta com a versão inicial apresentada pelo governo argentino, segundo a qual Milei teria apenas divulgado o projeto sem envolvimento direto em sua estrutura.

O colapso da $LIBRA provocou perdas para milhares de investidores após uma valorização inicial impulsionada pela divulgação feita pelo presidente argentino. Desde então, a investigação busca esclarecer se houve uso da influência presidencial para beneficiar uma operação privada e qual foi o destino dos milhões de dólares movimentados antes do lançamento da criptomoeda.