
“Estamos diante de uma campanha eleitoral em que a mídia atua como um ator político. Ela não perde oportunidade de criminalizar Lula, criminalizar o PT e tentar prejudicar a campanha de reeleição do presidente”, afirmou.
O advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e defensor de Fábio Luis Lula da Silva, afirmou que a investigação da Polícia Federal envolvendo o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não apresenta qualquer elemento concreto e estaria sendo utilizada para produzir desgaste político em meio ao processo eleitoral. Em entrevista ao Boa Noite 247, ele criticou a abertura de um novo inquérito, denunciou vazamentos de informações e acusou parte da grande imprensa de promover uma campanha de condenação antecipada.
“Estamos diante de uma campanha eleitoral em que a mídia atua como um ator político. Ela não perde oportunidade de criminalizar Lula, criminalizar o PT e tentar prejudicar a campanha de reeleição do presidente”, afirmou.
Segundo o advogado, o novo inquérito parte da alegação de que um empresário ligado ao chamado “careca do INSS” teria buscado intermediar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, contando com uma suposta facilitação por parte de Fábio Luiz. No entanto, ele ressalta que o contrato citado jamais existiu.
Carvalho lembrou que Fábio Luis já havia sido alvo de outra investigação relacionada ao caso do INSS. Na ocasião, segundo ele, houve quebra de sigilo bancário, divulgação de informações protegidas e ampla repercussão na imprensa, mas nenhuma irregularidade foi encontrada.
“Quebraram o sigilo dele, vazaram de forma clandestina e criminosa e, depois de mais de quatro meses, não acharam nada porque simplesmente não tem nada. Agora, como não encontraram nada, resolveram procurar em outro lugar.”
Na avaliação do advogado, a estratégia caracteriza uma “fishing expedition”, expressão jurídica utilizada para definir investigações abertas sem indícios concretos, na expectativa de que algum fato incriminador seja encontrado ao longo da apuração.
Para Carvalho, a própria instauração do procedimento demonstra tratamento diferenciado em razão da condição de Fábio Luis como filho do presidente da República.
“Se o Fábio não fosse filho do presidente Lula, esse inquérito nem sequer teria sido instaurado. O anterior teria sido arquivado por absoluta falta de justa causa.”
Outro ponto criticado foi o uso recorrente do apelido “Lulinha” por veículos de comunicação. Segundo ele, familiares e amigos sempre o chamam de Fábio, e a utilização do apelido faz parte de uma estratégia de construção de uma narrativa negativa.
“O presidente Lula devolveu a Polícia Federal ao Estado brasileiro. Ela recuperou independência e autonomia. Agora, isso não significa que não existam pessoas dentro das instituições tentando interferir no processo eleitoral.”
O advogado informou ainda que a defesa levou o caso à Procuradoria-Geral da República para que sejam apurados tanto os vazamentos quanto a condução das investigações. Ao mesmo tempo, reiterou que Fábio Luiz colaborará integralmente com qualquer procedimento.
Ao encerrar a entrevista, Carvalho afirmou que a disputa política deve ocorrer nas urnas e advertiu que a utilização de investigações sem provas e de campanhas midiáticas para atingir adversários representa um risco para o processo democrático.





