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Petrobras e Pemex buscam petróleo em rochas jurássicas no Golfo do México

“A Petrobras está entrando em território inexplorado”, afirmou Pedro Zalan, geólogo com 34 anos de carreira na petroleira brasileira. O especialista destacou que a geologia do lado mexicano do Golfo “a torna particularmente favorável à acumulação de petróleo”.

Petrobras e Pemex buscam petróleo em rochas jurássicas no Golfo do México

O desafio operacional envolve superar pressões intensas, temperaturas elevadas e a instabilidade de camadas rochosas e salinas profundas. E

A Petrobras e a estatal mexicana Pemex fecharam uma parceria de alto risco e elevada complexidade técnica para investigar e perfurar formações rochosas de 160 milhões de anos localizadas sob o leito marinho do Golfo do México, segundo o jornal O Globo.

O projeto conjunto visa acessar uma camada geológica mais antiga, profunda e com potencial de produtividade superior aos megacampos atuais do mercado global. O foco das atenções é uma formação geológica na costa do estado mexicano de Campeche, área que a Pemex explorou sem sucesso em 2018. Na ocasião, a perfuração atingiu mais de 7,8 mil metros abaixo do fundo do mar e atravessou a camada de sal local. Embora o poço tenha sido declarado improdutivo na época, os dados técnicos e os registros obtidos servem agora de base para os estudos das equipes das duas empresas.

A investida contrasta com a produção realizada no lado norte-americano do Golfo, cujas reservas estão situadas em rochas formadas há cerca de 20 milhões de anos. Petrobras e Pemex pretendem perfurar formações rochosas oito vezes mais antigas, de um período em que dinossauros e moluscos ancestrais habitavam a Terra. Essas formações constituem a chamada rocha geradora, local onde a matéria orgânica foi submetida a condições extremas de pressão e temperatura para originar o petróleo. Já as rochas mais jovens representam apenas reservatórios secundários que receberam vazamentos ao longo das eras geológicas.

“A Petrobras está entrando em território inexplorado”, afirmou Pedro Zalan, geólogo com 34 anos de carreira na petroleira brasileira. O especialista destacou que a geologia do lado mexicano do Golfo “a torna particularmente favorável à acumulação de petróleo”.

Para a estatal mexicana, a operação é vista como uma oportunidade decisiva de recuperação operacional e financeira, em meio a quadros de forte endividamento e retração na produção. Sob a perspectiva do mercado internacional, a iniciativa ganha relevância em um cenário marcado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, como os conflitos envolvendo o Irã, que evidenciam os riscos decorrentes da concentração da oferta global de petróleo em poucas regiões.

O desafio operacional envolve superar pressões intensas, temperaturas elevadas e a instabilidade de camadas rochosas e salinas profundas. Em grandes profundidades, o sal apresenta comportamento fluido, o que exige tecnologia avançada e equipamentos especializados para a perfuração. Mark Rowan, geólogo e consultor especializado em descobertas em águas profundas no Golfo do México, explicou o contexto da operação.

“A Pemex, sozinha, não tem a tecnologia nem o capital para esse tipo de exploração. Mas o fato de ser de alto risco não significa que os hidrocarbonetos não estejam lá. As empresas estão dispostas a perfurar áreas de altíssimo risco e a serem pioneiras porque as recompensas potenciais, em caso de sucesso, são enormes”, apontou Mark Rowan.

Rowan destacou ainda que os dados coletados no poço de 2018 trouxeram aprendizados relevantes: “Aparentemente, o que a Pemex encontrou não os fez desistir. Isso sugere que não houve nenhum fator absolutamente impeditivo para a exploração e, possivelmente, que encontraram algo que lhes deu motivos concretos para continuar os testes.”

A cooperação se fundamenta no conhecimento acumulado pela Petrobras na exploração da camada do pré-sal no Brasil, iniciada com as descobertas na Bacia de Santos em 2006. O desenvolvimento do campo de Tupi, por exemplo, já acumula uma produção de 4 bilhões de barris desde 2010, gerando mais de US$ 300 bilhões em valor econômico. Tentativas anteriores de outras petroleiras de reproduzir esse modelo em formações semelhantes em países como Angola, Gabão e República do Congo não obtiveram o mesmo êxito.

A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, explicou em entrevista coletiva recente que, além da camada do pré-sal, as petroleiras planejam analisar recursos situados sob rochas sedimentares formadas por acúmulos de lama e areia a quilômetros do leito marinho, além de estruturas salinas mais recentes.

Jon Blickwede, geólogo da consultoria Teyra GeoConsulting, destacou o impacto potencial dos estudos mantidos sob sigilo pela Pemex. “Muita coisa depende do que realmente mostram os dados do poço do pré-sal perfurado pela Pemex em 2018, e eles mantiveram os resultados desse estudo sob rigoroso sigilo. Se a Pemex encontrou qualquer indício de hidrocarbonetos, seja gás ou petróleo, sob o sal, isso seria extremamente significativo.” Uma descoberta comparável à de Tupi representaria o avanço mais expressivo para a Pemex em seus 88 anos de história, concretizando o objetivo de revitalizar a produção petrolífera do México.