
“A Justiça está sendo feita. Agora, a luta vai ser no penal, já que tem um inquérito policial correndo”, afirmou. Vinícius Alvarenga, ex-aluno e representante discente da pós-graduação, também comentou: “Um alívio que tudo se encaminhou bem”.
A reitoria da Universidade de São Paulo (USP) oficializou nesta quarta-feira (11) a demissão do professor Alysson Mascaro, da Faculdade de Direito, acusado por estudantes de assédio e abuso sexual. O docente estava afastado desde dezembro de 2024. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo, e o professor poderá recorrer no prazo de 30 dias.
A Congregação da Faculdade de Direito já havia votado pelo desligamento em 11 de dezembro do ano passado, mas a medida dependia da formalização pela reitoria. Um dos estudantes que denunciou o caso celebrou a decisão.
“A Justiça está sendo feita. Agora, a luta vai ser no penal, já que tem um inquérito policial correndo”, afirmou. Vinícius Alvarenga, ex-aluno e representante discente da pós-graduação, também comentou: “Um alívio que tudo se encaminhou bem”.
As denúncias vieram à tona em dezembro de 2024, quando dez alunos e ex-alunos relataram episódios de assédio ocorridos entre 2006 e 2024. A partir disso, a USP instaurou sindicância interna e afastou temporariamente o professor, afirmando haver “fortes indícios de materialidade dos fatos”.
Os relatos apontam que as abordagens começavam com promessas de orientação acadêmica e indicações profissionais na área jurídica. Segundo os ex-alunos, as conversas evoluíam para mensagens íntimas, abraços desconfortáveis e tentativas de beijos. Quatro denunciantes ouvidos entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025 afirmaram que o professor convidava estudantes para sua residência, na região central de São Paulo, onde teriam ocorrido a maioria dos episódios.
“Quando recebi a notícia através dos jornais de outras acusações contra o assediador, tive a infeliz surpresa de que ele havia, além de mim, abusado de muitas outras pessoas, que seu modus operandi era praticamente idêntico”, relatou um ex-aluno.
Em nota divulgada em novembro, o professor afirmou ser “vítima de crime cibernético” e alvo de um “processo de perseguição” baseado em “acusações inverídicas”. Ele manteve a mesma linha de defesa ao longo do PAD e, paralelamente, lançou recentemente um livro sobre cancelamento digital.
Alysson Mascaro é livre-docente em Filosofia e Teoria Geral do Direito, graduado e doutor pela USP. Autor de obras como “Crise e Golpe”, “Estado e Forma Política”, “Filosofia do Direito” e “Introdução ao Estudo do Direito”, ele também acumula mais de 100 mil seguidores nas redes sociais, onde publica vídeos de palestras e comentários sobre temas jurídicos.





