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Após defesa de SC, PGR pede suspensão da lei que proíbe cotas nas universidades

A lei já teve seus efeitos suspensos em decisão liminar proferida na terça-feira (27). Mesmo assim, a norma é alvo de ações diretas de inconstitucionalidade apresentadas ao STF pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), pelo Partido dos Trabalhadores (PT), por entidades estudantis, organizações da...

Após defesa de SC, PGR pede suspensão da lei que proíbe cotas nas universidades

No parecer enviado nesta quarta-feira (29), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que a interrupção de políticas afirmativas sem avaliação prévia dos seus efeitos não está de acordo com a Constituição nem com precedentes já firmados pelo STF sobre o tema.

Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu no Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão imediata da lei de Santa Catarina que proíbe a adoção de cotas raciais em universidades públicas estaduais e em instituições privadas que recebem recursos do governo estadual. A manifestação foi encaminhada ao ministro Gilmar Mendes, relator do caso. Com informações do UOL.

No parecer enviado nesta quarta-feira (29), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que a interrupção de políticas afirmativas sem avaliação prévia dos seus efeitos não está de acordo com a Constituição nem com precedentes já firmados pelo STF sobre o tema.

A lei já teve seus efeitos suspensos em decisão liminar proferida na terça-feira (27). Mesmo assim, a norma é alvo de ações diretas de inconstitucionalidade apresentadas ao STF pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), pelo Partido dos Trabalhadores (PT), por entidades estudantis, organizações da sociedade civil e pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

ministro Gilmar Mendes, relator do caso. olhando para o lado, de óculos de grau, sério
O ministro Gilmar Mendes, relator do caso – Reprodução

No documento, a PGR menciona decisões anteriores da Corte que reconheceram a constitucionalidade das cotas raciais e estabeleceram que a temporalidade dessas políticas exige reavaliação formal antes de eventual encerramento. Entre os precedentes citados estão julgamentos de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) e de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI).

A Procuradoria também destacou que o Brasil é signatário da Convenção Interamericana contra o Racismo, incorporada ao ordenamento jurídico com status constitucional. Segundo o parecer, o tratado prevê a adoção de políticas voltadas à promoção da igualdade de oportunidades para pessoas sujeitas à discriminação racial.

A norma foi aprovada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina em dezembro de 2025 e sancionada pelo governador Jorginho Mello (PL) na quinta-feira (22). O texto proíbe cotas raciais no ensino superior estadual e prevê sanções administrativas às instituições que descumprirem a regra, incluindo multas e a possibilidade de suspensão de repasses públicos.