
Brasil não convidou os Estados Unidos a participar das discussões sobre como preservar o ambiente democrático, que serão conduzidas por Lula e o primeiro-ministro espanhol Pedro Sanchez na próxima quarta-feira (23) em Nova York.
Ao contrário do que aconteceu no ano passado, na primeira reunião sobre Democracia feita em conjunto com a Espanha, às margens da Assembleia Geral da ONU, agora o Brasil não convidou os Estados Unidos a participar das discussões sobre como preservar o ambiente democrático, que serão conduzidas por Lula e o primeiro-ministro espanhol Pedro Sanchez na próxima quarta-feira (23) em Nova York.
Dessa vez, além de Brasil e Espanha, co-patrocinam o evento Chile, Colômbia e Uruguai.
À exceção dos EUA, todos os demais países que foram convidados em 2024 voltaram a receber convites.
No entendimento da diplomacia brasileira, a troca de comando da Casa Branca, do democrata Joe Biden para o republicano Donald Trump, alterou significativamente o cenário a ponto de inviabilizar a participação dos norte-americanos no evento, batizado de “Defendendo a democracia contra os extremismos”.
Auxiliares do presidente Lula têm dito que parte justamente do governo Trump o maior ataque à democracia brasileira em 40 anos. Logo, a presença de funcionários do governo Trump seria impraticável e um convite a eles poderia até ser visto como “provocação”.
Há dois meses, o governo do republicano mobiliza uma série de instrumentos contra o Brasil —um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, sanções financeiras da Lei Global Magnitsky sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, restrições de entrada e circulação a autoridades brasileiras —, justificando-os tanto pelo processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao qual Trump chama de “caça às bruxas”, quanto por decisões do STF de regulações de discurso de ódio em big techs.
No ano passado, a discussão do evento brasileiro girou em torno de como coibir discursos de ódio e o avanço da extrema direita em redes sociais. O atual governo norte-americano vê tais iniciativas como antidemocráticas e cerceamento de liberdade de expressão, conforme entendida pelas leis do país.
O governo de Biden tinha a questão da democracia como prioridade, especialmente depois do ataque de trumpistas ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, o que chegou a interromper a certificação da vitória de Biden por algumas horas.





