
O ministro também destacou que a delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tem materialidade e está respaldada pelas investigações. As informações fornecidas pelo militar são uma das bases da denúncia apresentada pela PGR.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), elogiou os trabalhos da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) no relatório e na denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros 33 envolvidos na tentativa de golpe de Estado. Segundo ele, a investigação reuniu um vasto material probatório.
“É um relatório da Polícia Federal muito sólido, com uma farta documentação, se você olhar os filmetes, as reuniões, as pessoas tramando. Impressiona. O que tornou a denúncia também bastante concatenada. Um plano para matar o presidente, o vice-presidente, matar um ministro do Supremo, prender outros, fazer uma intervenção…”, afirmou Gilmar Mendes nesta terça-feira (25).
“Nós estamos vendo que ela [a delação de Mauro Cid] está lastreada em fatos. Vocês têm divulgado um diálogo que o ministro Alexandre de Moraes mantém com ele, mostrando as contradições, mas contradições que ele apresenta diante de fatos já investigados”, disse Gilmar.
“A verdade é que as investigações já estavam avançadas em determinados pontos e, para você gozar do benefício, é preciso que seja minimamente verdadeiro”, afirmou.
Gilmar Mendes também declarou que não vê chances de anulação do acordo devido à participação do ministro Alexandre de Moraes em uma audiência, como pretende a defesa de Bolsonaro. Segundo ele, a atuação do relator nesse tipo de processo é normal.
“Se houver colaboração, delação de algum interessado, será o relator quem fará a audiência, eventual juiz instrutor, e depois haverá a homologação. Então, é um pouco o processo que nós temos. Não vejo como isso possa propiciar nulidade”, concluiu o ministro.