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Ministros do STJ relatam temor com novos ataques hacker

Gabinete de Segurança Institucional (GSI) editou um alerta para instruir sobre como evitar ataques de ransomware.

Ministros do STJ relatam temor com novos ataques hacker

O ataque hacker que paralisou as atividades do Superior Tribunal de Justiça durante uma semana instalou um clima de apreensão entre os ministros e funcionários da corte. As poucas informações disponíveis sobre a invasão mantêm a sensação de vulnerabilidade e medo de novos ataques.

O suspense e a insegurança fazem alguns ministros acreditarem que o tribunal ainda não cobriu as fragilidades que permitiram o ataque.

Oficialmente, tudo segue conforme o planejado: a corte retomou os trabalhos nesta terça-feira (10/11). O site e os serviços de consulta processual e de jurisprudência voltaram a funcionar. Além disso, os prazos processuais voltaram a correr, também nesta terça.

Internamente, no entanto, os ministros relatam que seguem com dificuldade de acesso a alguns serviços, com receio inclusive de usar suas senhas. Isso porque há registros de funcionários sobre uma aparente vulnerabilidade, com pedidos de senha não previstos. A administração do tribunal refuta.

Os ministros temem um novo phishing, técnica em que o hacker envia uma isca, que pode ser um link por e-mail. Uma vez acionado, o vírus invade o sistema e criptografa as informações, travando o acesso ao conteúdo da máquina. A descriptografia (ou seja, a quebra do código) é considerada muito complicada por peritos, o que reforça a importância de manter um backup, inclusive dos processos.

Talvez por falta de informações seguras, o comando do tribunal ainda não repassou aos ministros o diagnóstico do que houve — embora a preocupação com os boatos esteja sendo enfrentada com boletins diários sobre os progressos.

Desde que foi identificada a invasão, o presidente Humberto Martins centralizou as demandas urgentes na presidência enquanto a Polícia Federal e o setor de informática do STJ trabalhavam para restaurar o backup. A PF abriu inquérito para investigar a extensão do ataque e conta com ajuda do Comando de Defesa Cibernética do Exército.

Até agora, porém, não está clara a dimensão do que foi acessado. Os sistemas de informática estavam parcialmente restabelecidos desde esta segunda-feira (9/11), mas ainda assim as seis turmas decidiram adiar as sessões por videoconferência que estavam marcadas para hoje. Um dos motivos é que o sistema permanece instável.

Na última semana, quando não estavam conseguindo acessar os sistemas e e-mails, muitos ministros trabalharam produzindo votos-vista ou vogal com os materiais que tinham guardado. Alguns também demonstraram preocupação com uma transição de sistemas feita às pressas no ano passado.

Mais incertezas
Os sistemas de telefonia e internet do STJ ficaram fora do ar quando as sessões de julgamento das seis turmas foram interrompidas. A informação inicial era que houve um problema técnico, mas um dia depois a presidência informou que se tratava de ataque hacker.

Já na quinta-feira (5/11), outros sistemas oficiais também foram atingidos em Brasília: do Ministério da Saúde, da Secretaria de Economia do Distrito Federal e do governo do Distrito Federal. Embora não seja certo que os ataques estão relacionados com o do STJ, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) editou um alerta para instruir sobre como evitar ataques de ransomware.

Nesse tipo de ataque “um malware invade e bloqueia o acesso aos dados, ao website, aos sistemas ou outros recursos críticos da vítima, normalmente com a exigência de pagamento de uma quantia para devolver o acesso”. “Esse software “malicioso” pode invadir qualquer tipo de computador, incluindo desktops, laptops, tablets, smartphones. E o objetivo do hacker não é destruir ou bloquear o dado de forma permanente, mas garantir o pagamento rápido do resgate”, explicam André Silveira e Jessica Baqui em artigo publicado na ConJur.

Nos primeiros comunicados do STJ, o presidente afirmou que “o ataque hacker bloqueou, temporariamente, com o uso de criptografia, o acesso aos dados”. No entanto, não explicou se houve algum pedido de resgate dos dados.

As informações preliminares indicam que o ataque foi localizado vindo de uma empresa particular estrangeira e estava sendo programado havia três meses. Já o presidente Jair Bolsonaro disse que a PF já identificou o responsável pelo ataque ao sistema do STJ. Uma semana depois, não houve andamento ou confirmação.

O inquérito da Polícia Federal tramita sob sigilo e não há previsão de quanto tempo vai durar a apuração.