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PGR pede condenação de Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado

As alegações finais foram apresentadas ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A PGR classificou Bolsonaro como parte do núcleo “crucial” da trama golpista e pediu que ele seja condenado por cinco crimes: tentativa...

PGR pede condenação de Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado

Paulo Gonet entregou nesta segunda-feira (14/7) ao STF o parecer final na ação penal que investiga suposta trama golpista. São réus no caso o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados. Ele pediu a condenação dele e de outros réus.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, entregou nesta segunda-feira (14/7) ao Supremo Tribunal Federal (STF) o parecer final na ação penal nº 2.668, que investiga suposta trama golpista. São réus no caso o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados. Ele pediu a condenação dele e de outros réus. A entrega ocorreu um pouco antes da meia-noite. O documento tem 517 páginas.

Gonet pediu a condenação de Bolsonaro pelos crimes de liderar organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado
pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado.

A ação penal também inclui outros nomes ligados ao governo anterior, como o tenente-coronel Mauro Cid, o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), os ex-ministros Augusto Heleno, Anderson Torres, Paulo Sérgio Nogueira, e o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier. Segundo a PGR, todos compunham o núcleo central da organização, enquanto outras 25 pessoas estariam distribuídas em três núcleos complementares.

Com a entrega das alegações finais da PGR, abre-se agora o prazo para que os réus apresentem seus posicionamentos. Mauro Cid será o primeiro a se manifestar, devido ao acordo de delação premiada firmado com a Justiça. Em seguida, os demais acusados terão 15 dias corridos para também apresentar suas defesas finais, seguindo a ordem processual definida pelo STF.

A contagem de prazos não foi suspensa pelo recesso do Judiciário, já que um dos réus, o general Walter Braga Netto, candidato a vice de Bolsonaro nas eleições de 2022, encontra-se preso. O andamento do processo segue normalmente para que o julgamento ocorra ainda no segundo semestre. A expectativa interna é que o caso seja incluído na pauta da Primeira Turma do STF até setembro.

O julgamento será conduzido por Moraes, relator da ação, e analisado também pelos ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. A decisão da turma poderá resultar na condenação ou absolvição dos envolvidos, com base nos elementos reunidos durante a fase de instrução e nas alegações finais.

Esta é a primeira vez em que a PGR pede formalmente a condenação de um ex-presidente da República por tentativa de golpe desde a redemocratização. As acusações se baseiam em provas documentais, mensagens obtidas em celulares, vídeos de reuniões e depoimentos colhidos ao longo do inquérito.

Se condenado, Bolsonaro pode perder os direitos políticos por anos e ainda enfrentar penas de reclusão.

Quem são os réus ao lado de Bolsonaro

O núcleo 1 da suposta trama golpista é composto por oito réus. Ao lado de Bolsonaro, estão aliados próximos e integrantes do primeiro escalão do antigo governo, como ministros e o ex-comandante da Marinha. Todos eles foram interrogados na Primeira Turma do STF.

Alexandre Ramagem: ex-diretor da Abin, ele é acusado pela PGR de atuar na disseminação de notícias falsas sobre fraude nas eleições.

Almir Garnier Santos: ex-comandante da Marinha, ele teria apoiado a tentativa de golpe em reunião com comandantes das Forças Armadas, na qual o então ministro da Defesa apresentou minuta de decreto golpista. Segundo a PGR, o almirante teria colocado tropas da Marinha à disposição.

Augusto Heleno: ex-ministro do GSI, o general participou de uma live que, segundo a denúncia, propagava notícias falsas sobre o sistema eleitoral. A PF também localizou uma agenda com anotações sobre o planejamento para descredibilizar as urnas eletrônicas.

Jair Bolsonaro: ex-presidente da República, ele é apontado como líder da trama golpista. A PGR sustenta que Bolsonaro comandou o plano para se manter no poder após ser derrotado nas eleições e, por isso, responde a qualificadora de liderar o grupo.

Mauro Cid: ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do caso. Segundo a PGR, ele participou de reuniões sobre o golpe e trocou mensagens com conteúdo relacionado ao planejamento da ação.

Paulo Sérgio Nogueira: ex-ministro da Defesa, ele teria apresentado aos comandantes militares decreto de estado de defesa, redigido por Bolsonaro. O texto previa a criação de “Comissão de Regularidade Eleitoral” e buscava anular o resultado das eleições.

Walter Souza Braga Netto: é o único réu preso entre os oito acusados do núcleo central. Ex-ministro e general da reserva, foi detido em dezembro do ano passado por suspeita de obstruir as investigações. Segundo a delação de Cid, Braga Netto teria entregado dinheiro em uma sacola de vinho para financiar acampamentos e ações que incluíam até um plano para matar o ministro Alexandre de Moraes.