
Ibovespa despenca, as ações de Wall Street tombam, enquanto o dólar salta nesta sexta-feira (4)
O Ibovespa despenca, as ações de Wall Street tombam, enquanto o dólar salta nesta sexta-feira (4), com temores de uma guerra comercial global após a China retaliar as tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump.
O dólar à vista fechou em alta de 3,72%, aos R$5,8382, na maior elevação percentual em um único dia desde 10 de novembro de 2022, quando subiu 4,1%.
Enquanto isso, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caiu 2,96%, a 127.256 pontos. Foi a maior queda percentual em um dia desde 18 de dezembro, quando fechou com declínio de 3,15%.
A China informou nesta sexta que vai impor tarifas recíprocas de 34% sobre todas as importações dos EUA a partir de 10 de abril. Trump respondeu horas depois e disse que a China “jogou errado” após a retaliação.
“A incerteza que paira sobre o mundo é de que essa política comercial vai afetar preços, taxas de juros e, consequentemente, as perspectivas de crescimento das economias”, aponta Bruna Centeno, sócia na Blue3 Investimentos.
Breno Falseti, gestor de investimentos e sócio da Rubik Capital, ressalta a possibilidade de a escalada da guerra comercial impactar a atividade econômica do mundo e, sobretudo, dos Estados Unidos.
“Neste contexto, podemos projetar queda relevante na atividade econômica acompanhada de alta nos níveis de preços. Sendo esta combinação usualmente prejudicial para ações, em especial de países desenvolvidos”, afirma Falseti.
“Neste momento ainda é cedo para traçar uma trajetória definitiva para os mercados. […] Em especial, destacamos o efeito negativo para a Europa e para a China, entre os principais prejudicados na rodada de taxação”, pontua.
Os principais índices de Wall Street recuavam de forma acentuada, sinalizando mais perdas na última sessão da semana com os temores de uma guerra comercial.
O S&P 500 caía 5,63%, enquanto o Nasdaq 100 tinha queda de 5,52% e o Dow Jones recuava 5,09%.
As bolsas europeias também operavam em forte baixa na manhã desta sexta, ampliando os tombos da véspera, à medida que investidores seguem evitando ativos de maior risco após o último tarifaço do governo Trump. O índice pan-europeu Stoxx 600 tombou 5,1%.
Em Londres, o FTSE 100 recuou 4,95%, para 8.054,98 pontos. O DAX, de Frankfurt, caiu também 4,95%, fechando em 20.641,72 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, teve queda de 4,26%, encerrando a sessão em 7.274,95 pontos. Em Madri, o Ibex 35 caiu 5,83%, para 12.422,00 pontos, enquanto o PSI 20, de Lisboa, recuou 4,75%, para 6.635,79 pontos. Já o FTSE MIB, de Milão, recuou 6,53%, fechando em 34.649,22 pontos.
Na Ásia, índice Nikkei caiu 2,75% em Tóquio, a 33.780,58 pontos, atingindo o menor nível desde 5 de agosto do ano passado.
Já na Oceania, o mercado australiano entrou em território de correção. As bolsas da China continental, de Hong Kong e de Taiwan não operaram em função de um feriado.
A liquidação global de ações de bancos tornou-se preocupante com o colapso dos papéis de bancos japoneses nesta sexta para marcar a pior perda semanal em pelo menos 40 anos, enquanto os credores dos Estados Unidos e da Europa continuavam a cair conforme o temor de uma recessão global varria os mercados.
As quedas desta semana de 20% ou mais nas ações dos três megabancos do Japão são as maiores desde a crise financeira de 2008.