
Os itens incluídos na decisão — café, carne, banana e açaí — fazem parte de cadeias produtivas distribuídas por diferentes regiões do Brasil.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (14) uma ordem executiva que reduz retroativamente as tarifas sobre carne bovina, tomates, café e bananas, entre outras importações agrícolas, com efeito retroativo a partir de quinta-feira (13).
No texto, o republicano escreve que tomou a decisão “após considerar as informações e recomendações que me foram fornecidas por autoridades, o andamento das negociações com diversos parceiros comerciais, a demanda interna atual por certos produtos e a capacidade interna atual de produção de certos produtos”.
A medida foi confirmada oficialmente sem divulgação de detalhes sobre critérios ou duração. Informações complementares podem ser publicadas posteriormente pelos órgãos responsáveis pela política comercial norte-americana.
A ordem assinada por Trump exclui as mercadorias das taxas tarifárias “recíprocas”, anunciadas em abril, que começam em 10% e chegam a 50%. No entanto, a ordem não isenta totalmente as mercadorias de tarifas.
Por exemplo, os tomates do México, um dos principais fornecedores dos Estados Unidos, continuarão sujeitos a uma tarifa de 17%. Essa taxa entrou em vigor em julho, após o término de um acordo comercial de quase três décadas. Os preços dos tomates aumentaram quase imediatamente após a implementação dessas tarifas.
Muitas das mercadorias que deixarão de estar sujeitas a tarifas “recíprocas” registaram alguns dos maiores aumentos de preços desde que Trump assumiu o cargo, em parte devido às tarifas que ele impôs e à falta de oferta interna suficiente.
Por exemplo, o Brasil, principal fornecedor de café para os EUA, enfrenta tarifas de 50% desde agosto. Os consumidores pagaram quase 20% a mais pelo café em setembro em comparação com o ano anterior, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor.
A medida surge após os eleitores expressarem frustração com a situação da economia em pesquisas de boca de urna realizadas no início deste mês, votando em candidatos democratas em eleições fora de ano eleitoral em diversos estados.
Ao apresentar a ordem executiva de sexta-feira, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse no início desta semana que as medidas visavam produtos “que não cultivamos aqui nos Estados Unidos”, referindo-se a café e bananas. (Embora o café seja cultivado em algumas partes do país, a maior parte é importada.)
Na sexta-feira, o governo Trump e o governo suíço anunciaram um novo acordo comercial que prevê a redução das tarifas sobre produtos da Suíça de 39% para 15%, uma taxa que estava entre as mais altas de todos os países com os quais os EUA negociam.
A suspensão ocorre em momento de fluxo contínuo de exportações agrícolas brasileiras. A cobrança de 50% incidia sobre o preço final enviado ao mercado dos Estados Unidos. A retirada da tarifa altera apenas o custo tarifário da operação.
Os itens incluídos na decisão — café, carne, banana e açaí — fazem parte de cadeias produtivas distribuídas por diferentes regiões do Brasil. A mudança atinge exclusivamente a tarifa adicional, sem modificar protocolos sanitários ou exigências logísticas.
A decisão ocorre um dia depois da reunião entre Marco Rubio e Mauro Vieira, em Washington.
O café brasileiro vinha sendo taxado em 50% para entrar nos EUA, o maior mercado consumidor do mundo. O Brasil responde por cerca de um terço do café consumido pelos norte-americanos, com exportações de US$ 1,96 bilhão em 2024, segundo a International Trade Administration. A Colômbia ocupa a segunda posição, com US$ 1,48 bilhão.
As tarifas impostas nos últimos meses provocaram estoques encalhados, cancelamentos de contratos e aumentos generalizados de preços. Em setembro, o café registrou a maior alta mensal do século, com avanço de 3,6%, e em outubro ficou 19% mais caro em relação ao mesmo mês de 2023.
A suspensão ocorre após a reunião entre Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada em outubro, na Malásia, para tratar da remoção de tarifas sobre produtos brasileiros.
O encontro abriu a possibilidade de um novo entendimento comercial voltado à redução do impacto dos preços do café e de outros produtos nos Estados Unidos.





