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Haddad aponta corte de R$ 15 bi em gasto tributário para fechar contas

“Nós temos que voltar a conversar com os líderes, mas acredito em algo em torno de R$ 15 bilhões [de arrecadação]. Pensava-se aqui na Fazenda em algo maior, pois se previa incluir todos os benefícios, por meio de PEC. Nesse...

Haddad aponta corte de R$ 15 bi em gasto tributário para fechar contas

Sobre a derrubada do aumento do IOF pelo Congresso e uma possível ação judicial que poderá ser apresentada pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro destacou que tem o dever de “defender a Constituição”, indicando que considera inconstitucional o decreto legislativo aprovado por deputados e senadores.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que precisa das receitas a serem geradas pelo aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), da aprovação da Medida Provisória nº 1.303/2025 e de um corte de pelo menos R$ 15 bilhões em gastos tributários para fechar as contas de 2025 e 2026.

Fernando Haddad concedeu entrevista ao jornal Valor Econômico e detalhou que, originalmente, o governo pretendia cortar R$ 40 bilhões e abranger todos os incentivos fiscais.

Primeiro decreto derrubado em mais de 30 anos
  • A votação da Câmara e do Senado dessa quarta-feira (25/6), que resultou na derrubada do decreto presidencial de reajuste do IOF, é algo que não ocorria há mais de 30 anos.
  • A última vez que um decreto presidencial acabou derrubado pelo Congresso Nacional foi em 1992, no governo de Fernando Collor de Mello.
  • À época, o Congresso derrubou um decreto que alterava regras para o pagamento de precatórios, meses antes de a Câmara abrir o processo de impeachment contra o então presidente.
  • Agora, em derrota expressiva para o governo, a Câmara aprovou a revogação com 383 votos favoráveis e 93 contrários e, horas depois, o Senado confirmou a anulação em votação simbólica.

Haddad salientou que a intenção, entretanto, sofreu resistência do Congresso Nacional em incluir benefícios fiscais de natureza constitucional, como o Simples Nacional e a Zona Franca de Manaus. Por isso, o valor final do corte ficou em R$ 15 bilhões.

O ministro afirmou que a equipe econômica da pasta chegou a preparar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) abrangente para regulamentar a redução de todos os subsídios fiscais. Atualmente, a Fazenda trabalha com alternativas para viabilizar um corte apenas em incentivos infraconstitucionais.

“Nós temos que voltar a conversar com os líderes, mas acredito em algo em torno de R$ 15 bilhões [de arrecadação]. Pensava-se aqui na Fazenda em algo maior, pois se previa incluir todos os benefícios, por meio de PEC. Nesse caso, o impacto seria próximo de R$ 40 bilhões, mas veio a demanda dos líderes para não mexer em benefícios constitucionais”, explicou Haddad, em entrevista divulgada nesta terça-feira (1º/7).

Sobre a derrubada do aumento do IOF pelo Congresso e uma possível ação judicial que poderá ser apresentada pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro destacou que tem o dever de “defender a Constituição”, indicando que considera inconstitucional o decreto legislativo aprovado por deputados e senadores.

“O que o presidente me disse na sexta-feira — e deve estar sendo resolvido hoje [segunda-feira] com a AGU — foi: ‘Tenho o dever funcional de defender a Constituição, pois jurei cumpri-la. Se o advogado-geral disser que o decreto legislativo invade prerrogativas do Executivo, tenho de defender o ato por dever funcional’.”

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