
A decisão de manter os juros básicos foi tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) pela quinta reunião consecutiva, com voto unânime de seus integrantes.
A decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano mantém os juros reais da economia brasileira em torno de 10,6%, considerando as expectativas de inflação para os próximos 12 meses. Esse é o nível mais elevado registrado desde maio de 2006, quando a taxa real alcançou 10,7%, marcando um retorno a patamares que ficaram fora da realidade econômica do país por quase duas décadas, segundo cálculos de mercado relatados pela Folha de São Paulo.
Após permanecerem abaixo de 10% por cerca de 20 anos, os juros reais voltaram a ultrapassar esse limite em julho do ano passado, quando a Selic atingiu o atual patamar de 15%. Desde então, a queda nas projeções de inflação — cuja mediana é de 4% em 2026, conforme o último boletim Focus — contribuiu para a elevação da taxa real. Em 2006, cenário frequentemente comparado ao atual, a Selic estava em 15,25% ao ano, com expectativa de inflação de 4,1%.
A permanência de juros reais em níveis tão elevados produz efeitos negativos sobre a atividade econômica. O encarecimento do crédito dificulta o acesso de empresas a financiamentos, desestimula novos investimentos e compromete planos de expansão produtiva, com reflexos diretos sobre a geração de empregos e a renda. Para as famílias, taxas mais altas reduzem o consumo, elevam o custo das dívidas e pressionam o orçamento doméstico, contribuindo para um ambiente de crescimento mais lento.





