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‘Quantas Marielles ainda serão assassinadas?’, questiona Cármen Lúcia

Ao iniciar seu voto, a ministra lançou uma pergunta direta sobre a repetição de tragédias semelhantes no país: “Eu me pergunto, senhoras e senhores, quantas 'Marielles' o Brasil permitirá sejam assassinadas até que se ressuscite a ideia de Justiça nesta...

'Quantas Marielles ainda serão assassinadas?', questiona Cármen Lúcia

“Eu me pergunto, senhoras e senhores, quantas 'Marielles' o Brasil permitirá sejam assassinadas até que se ressuscite a ideia de Justiça nesta pátria de tantas indignidades”.

A ministra Cármen Lúcia fez um pronunciamento contundente ao votar no julgamento do caso que apura o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, no Supremo Tribunal Federal (STF). Em tom emocionado, ela questionou a permanência da violência e cobrou uma resposta efetiva do Estado diante de crimes que, segundo afirmou, atingem não apenas as vítimas, mas toda a sociedade brasileira.

Ideia de justiça – Ao iniciar seu voto, a ministra lançou uma pergunta direta sobre a repetição de tragédias semelhantes no país: “Eu me pergunto, senhoras e senhores, quantas ‘Marielles’ o Brasil permitirá sejam assassinadas até que se ressuscite a ideia de Justiça nesta pátria de tantas indignidades”.

Quantos vão ficar órfãos – Na sequência, Cármen Lúcia ampliou a reflexão ao mencionar também o impacto sobre familiares das vítimas. “Quantos Anderson nós ainda vamos ver chorar quantos vão ficar órfãos pra que o Brasil resolva que isso não pode continuar e que esse estado de direito não é retórica”, prosseguiu.

Vida dilacerada – A ministra revelou ainda o abalo pessoal provocado pelo processo. “Esse processo me faz mal, pela impotência do direito diante da vida dilacerada. Esse processo tem me feito muito mal, até fisicamente, em que leio e releio, vejo vídeos sobre tudo o que passou”, afirmou.

Rajada de metralhadora – Ao recordar a noite do atentado, a ministra ressaltou o alcance simbólico da violência. “Essa rajada de metralhadora riscou a noite, estilhaçou não apenas os corpos dessas pessoas, feriu o Brasil”, declarou.  Ela também abordou a vulnerabilidade das mulheres, inclusive em posições de poder. “Nós, mulheres — mesmo eu branca, mesmo eu ministra — somos mais ponto de referência do que sujeito de direito […]. Matar uma de nós é muito mais fácil. Matar fisicamente, matar moralmente, matar profissionalmente. Continua sendo”, afirmou.

Dona Marinete – No mesmo contexto, mencionou a mãe da vereadora, Marinete Silva. “Dona Marinete, não ache que é só a sua filha. É mais fácil matar uma de nós do que matar um dos outros três aqui, porque se imagina que não vai acontecer nada”, disse.