
“Agora, deixa a execução do samba, do suor, da raça para quem o tem. Você não tem samba, suor e raça. Você é linda, você é maravilhosa, mas você não pode, você não conhece ninguém, a não ser o presidente”, finalizou.
O carnavalesco e comentarista da Globo Milton Cunha resolveu entrar no debate sobre a escolha de Virginia Fonseca como rainha de bateria da Grande Rio, que já rendeu algumas discussões. Milton criticou a presença da influenciadora no posto e colocou em pauta o incômodo de parte da comunidade com a chegada de celebridades ao coração do desfile.
Antes de entrar nas críticas diretas, Milton explicou que o cargo de rainha de bateria vai além de visibilidade e envolve uma relação histórica com a escola. Para ele, ocupar esse espaço exige vínculo com a comunidade e com o trabalho que sustenta o desfile.
“Essas pessoas que estão chegando de helicóptero, elas acham que é um posto de saracoteio, não é? E não é. Aquilo ali é um pertencimento gigantesco de antes”, afirmou.
Figura conhecida do Carnaval do Rio de Janeiro, Milton Cunha construiu sua trajetória dentro das escolas de samba antes de virar rosto frequente da transmissão da Globo. Ao longo da carreira, passou por agremiações como Beija-Flor, União da Ilha, Unidos da Tijuca, São Clemente, Viradouro e Porto da Pedra, e falou sobre o tema em conversa com a coluna Gente, da Veja.
Na sequência, o carnavalesco deixou claro de que lado está nessa discussão. Segundo ele, o debate sobre Virginia não é individual, mas parte de uma disputa maior sobre quem ocupa os espaços mais simbólicos do Carnaval.
“Então, nós estamos nesse questionamento e eu estou do lado da comunidade. Meu amor, você quer aparecer? Compra um lugar no (carro) abre-alas, no carro número 1, vem linda lá dando tchau, paga o melhor lugar”, opinou.
Por fim, Milton Cunha voltou a diferenciar quem desfila por compromisso com a escola e quem chega por exposição. A fala foi direcionada ao papel de quem ocupa o posto de rainha de bateria, que, segundo ele, não se resume a imagem.
“Agora, deixa a execução do samba, do suor, da raça para quem o tem. Você não tem samba, suor e raça. Você é linda, você é maravilhosa, mas você não pode, você não conhece ninguém, a não ser o presidente”, finalizou.





