×

Celso de Mello afirma que “sequestro de Maduro constitui ato essencialmente criminoso”

Na avaliação feita pelo jurista, “não se podem tolerar novas formas de imperialismo travestidas de doutrina ‘renovada’ (Corolário Trump à doutrina Monroe), muito menos admitir que a História retroceda aos tempos infelizes da política do ‘big stick’, quando o ‘porrete’...

Celso de Mello afirma que "sequestro de Maduro constitui ato essencialmente criminoso"

“A América Latina não é protetorado, tampouco área de segurança nacional de qualquer potência. Os povos desta região lutaram, pagaram com sangue, para conquistar sua independência e consolidar regimes constitucionais próprios, plurais, socialmente sensíveis e vocacionados à paz”.

O ministro aposentado Celso de Mello afirmou que a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos foi um sequestro armado, trazendo riscos para a América Latina e para o resto do mundo. De acordo com o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, são legítimas as críticas a uma “arrogância imperial” do presidente dos EUA, Donald Trump. O político venezuelano e sua esposa foram sequestrados e encontram-se em Nova York. A entrevista foi concedida ao SBT.

“Indiferença prática a compromissos humanitários; pelo tom insultuoso com que trata países menores, como se soberanias alheias fossem apenas variáveis negociáveis”, continuou Mello, que defendeu a América Latina. “A pretensão americana de restaurar doutrinas anacrônicas, com roupagem militarizada, constitui desrespeito ostensivo aos povos latino-americanos”, disse.

“A América Latina não é protetorado, tampouco área de segurança nacional de qualquer potência. Os povos desta região lutaram, pagaram com sangue, para conquistar sua independência e consolidar regimes constitucionais próprios, plurais, socialmente sensíveis e vocacionados à paz”.

Na avaliação feita pelo jurista, “não se podem tolerar novas formas de imperialismo travestidas de doutrina ‘renovada’ (Corolário Trump à doutrina Monroe), muito menos admitir que a História retroceda aos tempos infelizes da política do ‘big stick’, quando o ‘porrete’ (poder militar) falava mais alto que o Direito Internacional, e a razão jurídica era substituída pelo arbítrio geopolítico”.

“Nenhuma conveniência repressiva autoriza substituir tratados e acordos de cooperação internacional por sequestro, que constitui ato essencialmente criminoso”.