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Cometa Lemmon pode ser visto a olho nu nesta semana no Brasil

O astrônomo Gabriel Rodrigues Hickel, doutor em Astrofísica pelo Inpe e professor da Unifei, explica que o Lemmon tem origem nas regiões mais distantes do Sistema Solar, no Cinturão de Kuiper, uma região localizada além da órbita de Netuno, que...

Cometa Lemmon pode ser visto a olho nu nesta semana no Brasil

Segundo projeções astronômicas, o corpo celeste alcançou na última terça-feira (21) sua maior aproximação da Terra, a cerca de 90 milhões de quilômetros, antes de seguir em direção ao Sol.

O cometa C/2025 A6 (Lemmon), descoberto em janeiro deste ano pelo observatório Mount Lemmon, no Arizona (EUA), está em seu auge de brilho e pode ser observado do Brasil e de outras partes do mundo nesta semana.

Segundo projeções astronômicas, o corpo celeste alcançou na última terça-feira (21) sua maior aproximação da Terra, a cerca de 90 milhões de quilômetros, antes de seguir em direção ao Sol.

Na prática, isso significa que o astro está no ponto máximo de brilho e visibilidade, pois a luz solar reflete com mais intensidade em sua superfície gelada.

Depois de contornar o Sol, no início de novembro, o cometa deve se afastar cada vez mais até desaparecer do alcance dos telescópios, e só voltará a passar por aqui daqui a cerca de 1.300 anos.

De acordo com a Royal Astronomical Society, o Lemmon é o cometa mais fácil de ver em 2025, em ambos os hemisférios.

Ao g1, o astrônomo Gabriel Rodrigues Hickel, doutor em Astrofísica pelo Inpe e professor da Unifei, explica que o Lemmon tem origem nas regiões mais distantes do Sistema Solar, no Cinturão de Kuiper, uma região localizada além da órbita de Netuno, que contém milhões de corpos celestes gelados.

“Ele é um daqueles visitantes raros que vêm das partes mais externas do Sistema Solar. Pequeno, gelado e com uma trajetória muito alongada”, explica Hickel.

Segundo ele, o brilho visível se deve à reflexão da luz solar nos gases e poeira que se desprendem quando o cometa se aproxima do Sol.

“Esses materiais formam uma espécie de envoltório em volta do núcleo, chamado de coma. E o vento solar empurra parte desse material, criando a famosa cauda, que sempre aponta para o lado oposto do Sol”, detalha.
Justamente por isso, por enquanto, o Lemmon pode ser visto a olho nu ou com binóculos, como um ponto esverdeado e difuso, principalmente em locais escuros.

“Não é espetacular como alguns cometas do passado, mas é bonito de ver. Quem estiver longe das luzes das cidades tem boas chances de avistá-lo pouco antes do amanhecer”, afirma o astrônomo.