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Líder histórico do PCdoB, Renato Rabelo morre aos 83 anos em SP

Renato Rabelo, presidente de honra e dirigente histórico do PCdoB, morreu neste domingo (15), aos 83 anos, em São Paulo (SP). Ele estava internado no Hospital Albert Einstein e não resistiu às complicações de saúde decorrentes de um câncer contra...

Líder histórico do PCdoB, Renato Rabelo morre aos 83 anos em SP

Natural de Ubaíra, na Bahia, onde nasceu em 22 de fevereiro de 1942, iniciou a militância no movimento estudantil. Durante o curso de Medicina na Universidade Federal da Bahia, integrou a Juventude Universitária Católica e depois a Ação Popular.

Renato Rabelo, presidente de honra e dirigente histórico do PCdoB, morreu neste domingo (15), aos 83 anos, em São Paulo (SP). Ele estava internado no Hospital Albert Einstein e não resistiu às complicações de saúde decorrentes de um câncer contra o qual lutava nos últimos anos.

A morte foi confirmada pelo Partido Comunista do Brasil em nota oficial assinada por Nádia Campeão, presidenta em exercício, por Luciana Santos, presidenta licenciada, e pela Comissão Executiva Nacional. O texto lamenta a perda de um dos principais dirigentes da história centenária da legenda.

Segundo o comunicado, Renato dedicou os três últimos anos ao tratamento de saúde sem se afastar das contribuições políticas ao partido. O documento informa que o dirigente enfrentava a evolução da doença e que o falecimento ocorreu na manhã de domingo. O velório será realizado no Palácio do Trabalhador, em São Paulo, com acesso aberto ao público em horário ainda a ser definido. A cremação será restrita à família.

Renato presidiu o PCdoB entre 2001 e 2015 e completaria 84 anos no próximo dia 22. Ao longo de décadas de atuação, acumulou produção política e teórica. A direção partidária atribui a ele parte relevante do fortalecimento institucional da sigla e de sua projeção no cenário nacional e internacional.

Renato Rabelo no Aeroporto de Salvador (BA), durante a ditadura militar. Foto: Reprodução/PCdoB

Natural de Ubaíra, na Bahia, onde nasceu em 22 de fevereiro de 1942, iniciou a militância no movimento estudantil. Durante o curso de Medicina na Universidade Federal da Bahia, integrou a Juventude Universitária Católica e depois a Ação Popular. Em 1965, foi eleito presidente da União dos Estudantes da Bahia.

Com o endurecimento da ditadura militar, participou clandestinamente do 28º Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Belo Horizonte, em 1966, quando foi escolhido vice-presidente da entidade. Posteriormente, passou um período de formação política na China, durante a Revolução Cultural, e atuou em atividades partidárias em Goiás.

Em 1973, com a incorporação da Ação Popular Marxista-Leninista ao PCdoB, passou a integrar o Comitê Central. Parte de sua trajetória foi marcada pelo exílio, especialmente em Paris. Retornou ao Brasil em 1979 após a Lei da Anistia. Nos anos seguintes, participou da reorganização partidária e da campanha pelas Diretas-Já.

Ele assumiu a presidência do partido em 2001, após a sucessão de João Amazonas. Esteve na coordenação da campanha presidencial vitoriosa de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. Durante sua gestão, o PCdoB ampliou a presença institucional e elegeu senadores, um governador e mais de uma centena de prefeitos. Também liderou a formulação do Programa Socialista para o Brasil e conduziu a transição que levou Luciana Santos à presidência. Nos últimos anos, presidiu a Fundação Maurício Grabois, tornou-se presidente de honra do partido e foi homenageado no 16º Congresso. Sua última participação presencial ocorreu em setembro de 2025, em conferência estadual em São Paulo.