
Moraes estabeleceu prazo de cinco dias para que o órgão se posicione antes de decidir sobre o pedido de arquivamento.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre novos elementos encontrados nos celulares de Frederick Wassef, no âmbito da investigação sobre a suposta venda de joias sauditas recebidas pelo governo brasileiro.
De acordo com informações da CNN Brasil, o despacho foi motivado após a Polícia Federal encaminhar, no início de março, relatórios com análises dos aparelhos do advogado. Segundo os investigadores, o material contém indícios que podem justificar a abertura de um processo separado para aprofundar as apurações.
Apesar disso, a PGR pediu o arquivamento do caso como um todo, alegando a existência de uma “lacuna legislativa” sobre a natureza jurídica de presentes recebidos por presidentes, se seriam bens públicos ou privados.
A procuradoria, no entanto, não se manifestou especificamente sobre os novos dados extraídos dos celulares de Wassef nem sobre a possibilidade de investigação autônoma. Diante disso, Moraes estabeleceu prazo de cinco dias para que o órgão se posicione antes de decidir sobre o pedido de arquivamento.

Wassef está entre os indiciados pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ele é suspeito de participar da ocultação de joias e de valores obtidos com vendas no exterior. Em 2023, foi alvo de operação que também atingiu o general Mauro Lourena Cid, pai do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid.
As conclusões da Polícia Federal, porém, apontam para uma atuação direta do advogado. De acordo com o inquérito, Wassef teria participado da recompra de um relógio de luxo vendido anteriormente. A investigação indica que Mauro Cid vendeu o item, o general Lourena Cid recebeu os valores, e o advogado organizou a operação de recuperação do bem.
Relatórios também mencionam uma viagem de Wassef aos Estados Unidos em março de 2023, quando ele teria trocado mensagens com Mauro Cid no mesmo dia. Em outra frente, mensagens apreendidas mostram o ex-secretário Fabio Wajngarten chamando Wassef de “burro demais, contaminado”, em conversa sobre a tentativa de reaver as joias.
Segundo a PF, os valores obtidos com a venda dos objetos teriam sido convertidos em dinheiro em espécie e inseridos no patrimônio pessoal dos investigados “com o objetivo de ocultar a origem, localização e propriedade dos valores”. O caso segue sob análise do STF, com decisão pendente após a manifestação da PGR.





