
Ministério da Justiça formalizou nesta quarta a retirada de Alexandre Ramagem e Anderson Torres dos quadros da Polícia Federal
O Ministério da Justiça formalizou nesta quarta a retirada de Alexandre Ramagem e Anderson Torres dos quadros da Polícia Federal. As portarias assinadas por Ricardo Lewandowski atendem à determinação da Primeira Turma do STF, que havia ordenado a perda dos cargos após a condenação dos dois pela tentativa de golpe de Estado.
Os documentos serão publicados no Diário Oficial da União desta quinta, encerrando de maneira definitiva o vínculo estatutário que ambos mantinham com a PF. Ramagem, hoje deputado federal pelo PL do Rio, já não exercia funções na corporação, mas ainda mantinha o vínculo formal de delegado.
Ele está nos Estados Unidos desde o período do julgamento e foi condenado a 16 anos e um mês de prisão. Para o Supremo, ele utilizou a estrutura da Abin para monitorar adversários políticos e sustentar ataques do ex-presidente Jair Bolsonaro ao sistema eleitoral. A decisão também reforça que a perda do cargo decorre automaticamente da sentença.
No caso de Anderson Torres, o desligamento segue o mesmo rito. O ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal cumpre pena de 24 anos no núcleo de custódia da PM do DF, conhecido como Papudinha.
A medida permite que a PF registre de forma completa as infrações atribuídas aos dois ex-integrantes, independentemente da demissão já imposta por decisão judicial. A condenação de setembro marcou o primeiro desfecho judicial de alto impacto entre os acusados de participação na trama golpista.
A Primeira Turma considerou que Ramagem e Torres atuaram de maneiras distintas, mas convergentes, para tentar alterar o resultado eleitoral de 2022. Para os ministros, o uso indevido de estruturas do Estado configurou grave ofensa à ordem constitucional.
Lewandowski afirmou que apenas cumpriu a decisão do Supremo, atribuindo à Corte a determinação que exige o rompimento dos vínculos. O ministro reforçou que o efeito prático das portarias é a demissão de Ramagem e Torres, agora sem qualquer laço administrativo com a PF.





