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EUA acusam Brasil de protecionismo e listam 8 barreiras comerciais

Em nota da Casa Branca, o embaixador e representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, defendeu a posição do presidente dos EUA, Donald Trump, em adotar novas tarifas. Segundo ele, há barreiras comerciais externas abrangentes e prejudiciais que os exportadores americanos

EUA acusam Brasil de protecionismo e listam 8 barreiras comerciais

Governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em seu relatório anual sobre barreiras comerciais, destacando políticas consideradas protecionistas que prejudicariam exportadores norte-americanos.

O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em seu relatório anual sobre barreiras comerciais, destacando políticas consideradas protecionistas que prejudicariam exportadores norte-americanos. Isso daria “justificativa” para aplicar o tarifaço ao redor do mundo. As informações são da CNN Brasil.

Ao longo de 397 páginas, o documento cita 47 países e a União Europeia (UE) como um só bloco. Entre os produtos brasileiros citados como “desleais” estão etanol, cachaça e produtos eletrônicos.

A NTE é um relatório anual que detalha as barreiras ao comércio exterior que os EUA consideram que são enfrentadas pelos exportadores estadunidenses e os esforços do USTR para reduzir essas barreiras.

Em nota da Casa Branca, o embaixador e representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, defendeu a posição do presidente dos EUA, Donald Trump, em adotar novas tarifas. Segundo ele, há barreiras comerciais externas abrangentes e prejudiciais que os exportadores americanos enfrentam.

“Sob sua liderança, esta administração está trabalhando diligentemente para abordar essas práticas injustas e não recíprocas, ajudando a restaurar a justiça e a colocar as empresas e os trabalhadores americanos esforçados em primeiro lugar no mercado global”, pontuou.

O relatório também destaca barreiras comerciais impostas por outras economias importantes, como a China (com políticas de subsídios industriais e restrições a dados digitais), a Índia (com tarifas elevadas sobre produtos agrícolas e barreiras sanitárias) e a UE (com regulamentações rígidas sobre transgênicos e medidas de sustentabilidade que impactam importações).

Os pontos apontados pelo governo dos EUA sobre o Brasil

1. Acordos Comerciais

ATEC (Acordo de Cooperação Econômica e Comércio EUA-Brasil, 2011)

Atualizado em 2022 com foco em transparência, facilitação comercial e práticas regulatórias.

2. Políticas de Importação

Tarifas Elevadas

  • Média tarifária do Brasil: 11,2% (8,1% para agrícolas; 11,7% para não agrícolas);
  • Tarifa externa comum (TEC) do Mercosul: até 35% (redução parcial para 10,3% em 2022);
  • Setores mais afetados: automóveis, peças, eletrônicos, químicos, máquinas industriais e têxteis;
  • Falta de previsibilidade: mudanças frequentes nas tarifas dentro das flexibilidades do Mercosul.

Etanol

  • Tarifa de 18% em 2024 (ante 0% entre 2011-2017);
  • Queda de 32% nas exportações dos EUA para o Brasil desde 2022;
  • EUA pressionam por tratamento recíproco (tarifa zero).

Discriminação Fiscal (IPI)

  • Cachaça: 16,25%;
  • Bebidas importadas (ex.: whisky): 19,5%;
  • Audiovisual: Taxas mais altas para filmes e publicidade estrangeira.

3. Barreiras Não Tarifárias

Restrições a Produtos Remanufaturados

Proibição de equipamentos pesados, eletrônicos, médicos e veículos usados. Justificativa brasileira (ambiental/sanitária) é considerada “excessiva” pelo USTR.

Licenças de Importação Não Automáticas

Exigências opacas para setores como calçados, vestuário e automóveis. Atrasos na emissão de licenças prejudicam exportações dos EUA.

Exigências inconsistentes de documentação, especialmente para bens temporários (ex.: feiras).

4. Barreiras Técnicas e Sanitárias

RenovaBio (Biocombustíveis)

Produtores estrangeiros são excluídos do mercado de créditos de carbono.

Carne Suína

Brasil mantém proibição não científica à carne suína dos EUA (risco de peste suína africana).

Exigência de certificação duplicada (análise em laboratório brasileiro).

5. Compras Governamentais

Preferência por empresas locais em setores como saúde e defesa.

Exigência de “offsets” (transferência de tecnologia/produção local) para contratos acima de US$ 50 milhões.

6. Propriedade Intelectual

Pirataria: Rua 25 de Março (SP) listada como mercado notório de falsificações.

Atrasos em patentes: até 9 anos para produtos farmacêuticos.

Falta de proteção para dados de testes clínicos (em humanos).

7. Barreiras a Serviços

Audiovisual:

Costas para conteúdo nacional (3,5h/semana em TV por assinatura).

Restrições à propriedade estrangeira em mídia (30% no máximo).

Entregas Expressas:

Taxa de 60% para envios simplificados (limite de US$ 3.000 por remessa).

Satélites:

Empresas estrangeiras pagam taxas mais altas e têm autorizações temporárias (15 anos).

8. Comércio Digital

Proposta de taxação de plataformas digitais (Anatel):

Risco de aumento de custos para usuários e favorecimento a grandes operadoras.

Lei de Proteção de Dados (LGPD):

Restrições à transferência internacional de dados geram incertezas para empresas.

7º país mais citado

O Brasil aparece entre os 10 países mais citados no relatório do USTR, ocupando uma posição de destaque ao lado de:

  1. China (48 páginas dedicadas);
  2. União Europeia (34 páginas);
  3. Índia (16 páginas);
  4. México (8 páginas);
  5. Canadá (6 páginas);
  6. Japão (5 páginas);
  7. Brasil (5 páginas);
  8. Coreia do Sul (4 páginas);
  9. Vietnã (4 páginas);
  10. Argentina (3 páginas)

Severidade das barreiras Brasileiras vs. outros países

O relatório classifica as barreiras por impacto estimado nas exportações dos EUA. Nesse critério, o Brasil está em 7º lugar, atrás de:

  1. China (US$ 50 bilhões);
  2. UE (US$ 32 bilhões, principalmente em regulamentos sanitários);
  3. Índia (US$ 25 bilhões, com tarifas agrícolas e digital trade barriers);
  4. México (US$ 18 bilhões, em energia e regras de conteúdo local);
  5. Canadá (US$ 12 bilhões);
  6. Japão (US$ 10 bilhões, em barreiras não tarifárias);
  7. Brasil: Impacto estimado de US$ 8 bilhões, concentrado em: etanol (US$ 3 bilhões), bebidas alcoólicas (US$ 1,5 bilhão), produtos remanufaturados (US$ 2 bilhões) e barreiras alfandegárias (US$ 1,5 bilhão).