
Um comboio provavelmente transportando Nicolas Maduro sai do tribunal federal em Nova York em 5 de janeiro de 2026. SETH WENIG/AP
Nicolás Maduro e Cilia Flores compareceram pela primeira vez em um tribunal dos EUA. Eles se declararam inocentes e ainda não solicitaram fiança até o momento. “Sou prisioneiro de guerra”, disse Nicolás Maduro ao sair do tribunal. A próxima audiência está marcada para 17 de março. Barry Pollack, advogado de Nicolas Maduro, antecipa um “processo legal complexo”. As informações são do Le Monde
O New York Times e o Washington Post já estavam cientes da operação dos EUA na Venezuela antes de ser lançada na noite de sexta-feira. Se o Congresso dos Estados Unidos não estava ciente da operação militar na Venezuela que ocorreu na noite de sexta-feira, 2 de janeiro, para sábado, 3 de janeiro, os dois maiores meios de comunicação americanos estavam.
Reunião de emergência do Conselho de Segurança sobre a Venezuela. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, pediu na segunda-feira o respeito à “independência política” dos Estados.
“Não há justificativa (…) aos crimes cometidos pelos Estados Unidos em Caracas”, disse o embaixador russo na ONU. Pequim denuncia atos “unilaterais, ilegais e intimidadores”. “Não há guerra na Venezuela”, segundo Mike Waltz, embaixador dos EUA nas Nações Unidas.
A Dinamarca lembra o princípio fundamental do direito internacional, que proíbe Estados de ameaçar ou usar a força contra a integridade territorial e a independência política de outro Estado.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, refutou, nesta segunda-feira (5), as acusações de envolvimento com narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado. Durante sua audiência de custódia, no Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan, em Nova York, Maduro disse ser inocente, qualificando a si mesmo como um “prisioneiro de guerra” e um “homem decente”.
“Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente”, afirmou Maduro ao juiz Alvin Hellerstein, que conduziu a audiência de pouco mais de meia hora, realizada esta tarde. “Ainda sou presidente do meu país”, acrescentou o venezuelano após alegar que foi sequestrado por militares estadunidenses.
Durante a audiência, Maduro e sua esposa, a primeira-dama venezuelana Cíilia Flores, foram oficialmente notificados das acusações feitas por autoridades estadunidenses. Elas acusam membros do governo venezuelano, como o ministro do Interior, Diosdado Cabello, de se valerem de seus cargos para favorecer o “transporte de milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos”, beneficiando-se da “corrupção alimentada” pelo narcotráfico.
Maduro e integrantes de sua equipe negam as acusações. Segundo Maduro, o real objetivo dos Estados Unidos, país presidido por Donald Trump, é se apoderar dos recursos minerais estratégicos venezuelanos. A Venezuela é, hoje, a dona das maiores reservas de petróleo do mundo, além de deter grande quantidade de gás e ouro. Especialistas também questionam a falta de provas quanto ao envolvimento de lideranças venezuelanas com o tráfico de drogas, destacando que o país não é um produtor de cocaína.
O presidente venezuelano e sua esposa foram mantidos presos após a audiência de custódia. Os dois estão no Centro Metropolitano de Detenção, em Manhattan, desde que o líder chavista foi deposto e sequestrado por meio de uma operação militar que o governo estadunidense realizou em território venezuelano, no último sábado (3), sem a autorização do Congresso dos EUA ou do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
O centro de detenção temporária fica a cerca de 8 quilômetros de distância do tribunal federal, aonde Maduro e Cilia chegaram sob um forte esquema de segurança. Além de curiosos e jornalistas, dois grupos se aglomeraram do lado de fora do centro de detenção desde as primeiras horas da manhã: um favorável à manutenção da prisão do presidente venezuelano; outro que pedia sua libertação.
Defesa
Por indicação da própria Justiça estadunidense, Maduro e Cilia foram acompanhados, durante a audiência, por um advogado local, David Wikstrom. Segundo o jornal New York Times, Maduro também será defendido pelo advogado Barry Pollack.
Wikstrom é um conhecido advogado criminalista que já atuou em casos que despertaram a atenção midiática, como o processo que resultou na condenação do ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, por acusações semelhantes as feitas contra Maduro (narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado). Já Pollack tornou-se mundialmente conhecido ao assumir a defesa do fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, nas cortes dos EUA.
Após o fim da audiência de custódia, a defesa revelou que, no momento, não pretende pedir a libertação de Maduro e de Cilia sob fiança, mas que também não descarta fazê-lo posteriormente. O juiz federal Alvin Hellerstein marcou uma segunda audiência para o dia 17 de março.





