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Mãe de Ana Clara cobra júri de PM assassino que segue impune com ajuda de Flávio Bolsonaro

Christiane afirmou que espera uma resposta judicial há cinco anos. “Eu não estou pedindo para que ele seja condenado. […] Eu estou pedindo para que ele seja julgado, de poder ter a sensação de que a vida da minha filha...

Mãe de Ana Clara cobra júri de PM assassino que segue impune com ajuda de Flávio Bolsonaro

Christiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara Gomes Machado, cobrou a realização do Tribunal do Júri do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar a menina de 5 anos em Niterói, no Rio de Janeiro.

Christiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara Gomes Machado, cobrou a realização do Tribunal do Júri do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar a menina de 5 anos em Niterói, no Rio de Janeiro. Em vídeo divulgado pelo deputado federal eleito Marcelo Freixo (PT), ela criticou a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL) em recursos da defesa do agente e lamentou o novo adiamento da sessão para 5 de maio de 2027.

A mãe afirmou que não questiona o direito do policial de ter defesa técnica, mas contestou a tentativa de reverter a decisão que levou o caso ao júri popular. “A questão não é defender, porque defesa todo mundo tem direito à defesa. Não é questão da advocacia, não é questão do direito dele de advogar, não é nada sobre isso”, disse.

Ana Clara morreu em 2 de fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno. Ela estava na entrada de casa com o irmão Pedro, então com 2 anos, quando foi atingida por tiros. A mãe relatou que, após os disparos, encontrou o filho ao seu lado e a filha caída do lado de fora da residência.

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou Delaroli por homicídio qualificado. A acusação sustenta que o policial disparou um fuzil calibre 7,62 em direção a uma área residencial, mesmo com moradores no local, e que não havia confronto no momento dos tiros.

O policial responde ao processo em liberdade, contesta a responsabilidade pela morte e afirma que reagiu à presença de homens armados. A defesa nega que os disparos que feriram Ana Clara tenham partido da arma do agente.

A Justiça do Rio decidiu em novembro de 2021 que Delaroli deveria enfrentar o Tribunal do Júri, e o Tribunal de Justiça manteve a decisão em março de 2022. A Primeira Turma do STF confirmou o envio do caso aos jurados em junho de 2025; a discussão sobre o tema terminou em agosto daquele ano, com o trânsito em julgado.

O nome de Flávio Bolsonaro consta entre cinco advogados em acórdão do STJ de abril de 2024, que rejeitou um recurso da defesa por três votos a dois. O julgamento estava previsto inicialmente para 14 de abril de 2026, passou para 21 de outubro e acabou remarcado para maio de 2027. O advogado Paulo Klein atribuiu a mudança a um impedimento do juízo e negou medidas para adiar a sessão; não há elementos públicos que comprovem interferência política de Flávio nos adiamentos.