
De acordo com os peritos, os arquivos continham modelos tridimensionais de ferrolhos, carcaças e conjuntos de gatilho, com dimensões idênticas às da Glock 19 — uma das armas mais procuradas no mercado ilegal.
A mesma quadrilha que produzia fuzis em uma fábrica aeroespacial, no interior paulista, também desenvolvia projetos de pistolas Glock, segundo laudos da Polícia Federal (PF).
Durante buscas na empresa Kondor Fly, em Santa Bárbara d’Oeste, em agosto, os agentes encontraram arquivos digitais nomeados como “G19_v2”, “SlideGlock” e “Lower_Pistol_45” — todos compatíveis com componentes de pistolas semiautomáticas de uso restrito. As armas eram negociadas com facções criminosas, entre elas o Comando Vermelho (CV).
O material foi localizado em um HD externo apreendido com Anderson Custódio Gomes, o programador de Controle Numérico Computadorizado (CNC) apontado como o cérebro técnico da operação.
De acordo com os peritos, os arquivos continham modelos tridimensionais de ferrolhos, carcaças e conjuntos de gatilho, com dimensões idênticas às da Glock 19 — uma das armas mais procuradas no mercado ilegal.
“Os desenhos possuem a mesma geometria e os encaixes típicos de pistolas Glock. O nível de detalhamento demonstra conhecimento técnico e domínio de engenharia reversa”, explicou um dos peritos da PF que analisou o material.
Durante o interrogatório, Anderson confirmou ter criado os arquivos, mas tentou justificar o conteúdo técnico.
“Eu fiz os desenhos no Fusion pra estudar. Era pra testar o curso da máquina, não era pra fazer arma”, afirmou aos agentes federais.
A análise pericial, no entanto, indicou que os arquivos estavam prontos para serem usados na usinagem e continham comandos de exportação direta para os tornos CNC da fábrica.
Também foram identificados registros de simulações de corte metálico com o mesmo tipo de alumínio e aço usados em pistolas reais.





