
“Fui um presidente marcado para ser deposto, como muitos outros na história do Brasil”, comentou, destacando a instabilidade política daquele período.
O ex-presidente José Sarney ao comentar neste sábado, 15, o episódio de 8 de janeiro, quando, segundo ele, as instituições brasileiras — criadas durante a transição democrática após a ditadura militar (1964-1985)— evitaram um golpe de Estado e completou: “Eu acho que esses acontecimentos foram extremamente danosos e, ao mesmo tempo, repudiados pelo povo brasileiro e todas as classes.”.
Sarney ressaltou que, apesar dos danos causados pelos protestos que ocorreram em Brasília naquela data, as estruturas democráticas que o país construiu ao longo de décadas demonstraram força ao atravessar “dois impeachments e uma tentativa de mudança do Estado de Direito no dia 8 de janeiro.”;
Para o ex-presidente, foi justamente essa solidez institucional que permitiu ao Supremo Tribunal Federal analisar as denúncias contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 33 pessoas sem abalos democráticos.
O ex-presidente relembrou que, ao assumir o cargo em 15 de março de 1985, estava no papel de vice-presidente eleito ao lado de Tancredo Neves, que se encontrava internado e viria a falecer no mês seguinte. Segundo Sarney, foi uma transição delicada: “Depois de uma luta tão grande para chegar àquele momento, se houvesse qualquer dúvida sobre quem assumiria, poderíamos enfrentar um grande risco.”
Sarney também fez uma avaliação retrospectiva de seu governo, incluindo momentos de depressão vividos nos anos 1980 e acusações de ter beneficiado deputados para garantir a extensão de seu mandato para cinco anos. Ele reflete hoje sobre as críticas que fez a Juscelino Kubitschek e diz se arrepender de algumas delas.