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Erika Hilton pede suspensão do “Programa do Ratinho” por 30 dias

O Ministério das Comunicações informou que recebeu a representação administrativa encaminhada pela parlamentar. Em nota, a pasta afirmou que o documento será analisado pela equipe técnica da Secretaria de Radiodifusão (Serad).

Erika Hilton pede suspensão do “Programa do Ratinho” por 30 dias

“Tem tanta muié, porque vai dar para uma trans? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas tem outras mulheres, mulheres mesmo…”, disse Ratinho

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) solicitou ao Ministério das Comunicações a suspensão, por 30 dias, do “Programa do Ratinho”, exibido diariamente pelo SBT. O pedido foi apresentado após declarações feitas pelo apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho, durante a edição exibida na quarta-feira (12). Com informações do F5.

O Ministério das Comunicações informou que recebeu a representação administrativa encaminhada pela parlamentar. Em nota, a pasta afirmou que o documento será analisado pela equipe técnica da Secretaria de Radiodifusão (Serad). Segundo o órgão, a avaliação seguirá os trâmites administrativos e legais previstos na legislação.

Procurado, Ratinho declarou, por meio de sua assessoria, que não comenta processos judiciais. O SBT informou que as falas do apresentador não representam a posição institucional da emissora e que o caso está sendo analisado internamente.

Durante o programa, Ratinho comentou a escolha de Erika Hilton para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Na ocasião, afirmou que a parlamentar não deveria ocupar o cargo por ser uma mulher trans. “Tem tanta muié, porque vai dar para uma trans? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas tem outras mulheres, mulheres mesmo…”, disse.

O apresentador acrescentou outras declarações sobre o tema e também citou a cantora e drag queen Pabllo Vittar ao comentar discussões sobre identidade de gênero. Ele ainda afirmou que respeita pessoas com “comportamento diferente”, mas reiterou que a presidência da comissão deveria ser ocupada por uma mulher que não fosse trans.

No ofício encaminhado ao ministério, Erika Hilton afirma que o programa utilizou um veículo de radiodifusão para disseminar discursos contra a comunidade LGBTQIA+. O documento também menciona que o SBT já teve um programa suspenso anteriormente. Em setembro de 2003, o “Domingo Legal”, então apresentado por Gugu Liberato (1959-2019), ficou uma semana fora do ar após exibir entrevista forjada com integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital).