
Com o pedido de vista, os ministros têm mais 30 dias para analisar o caso. Ferreira argumentou que o pedido foi feito para que ele e os demais ministros possam "melhor refletir sobre o voto e o processo".
O ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Antonio Carlos Ferreira pediu vista e suspendeu o julgamento sobre a cassação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).
O pedido ocorreu após a relatora Isabel Gallotti votar a favor da cassação de Castro por abuso de poder político e econômico. Faltam os votos de Ferreira, Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e a presidente do TSE, Cármen Lúcia.
Com o pedido de vista, os ministros têm mais 30 dias para analisar o caso. Ferreira argumentou que o pedido foi feito para que ele e os demais ministros possam “melhor refletir sobre o voto e o processo”.
A ação em julgamento trata de um esquema de cargos secretos revelado pelo UOL. Uma série de reportagens publicada em 2022 mostrou que milhares de pessoas foram contratadas no Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro) e na Uerj (Universidade do Estado do Rio) sem transparência.
Além de Castro, há outros 12 réus. Entre eles, o presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), Rodrigo Bacellar (União Brasil), e o então vice-governador Thiago Pampolha (MDB), que deixou o cargo em maio deste ano para assumir uma vaga de conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado).
Gallotti votou pela cassação de Bacellar e de Pampolha, além da inelegibilidade dos três. A ministra relatora também determinou novas eleições para os cargos dos réus e a retotalização dos votos para deputado estadual, caso o mandato de Bacellar seja cassado.
Há indícios de que as contratações secretas foram usadas para fins políticos. Parte dos cargos serviu para abrigar apadrinhados de Castro e de aliados políticos em ano eleitoral. Segundo o Ministério Público eleitoral, os funcionários atuavam como cabos eleitorais de deputados federais e estaduais.
Em seu voto, Galloti disse que não há como dissociar o calendário eleitoral do aumento de gastos com contratações secretas. “Trata-se de uma sequência de atos que, analisados em seu conjunto, revela um planejamento orientado para obtenção de vantagens eleitorais ilícitas”, declarou.
O governador e os demais réus foram absolvidos pelo TRE em maio de 2024. O placar foi de 4 votos a 3 –a maioria entendeu que o caso não é de competência da Justiça Eleitoral. O Ministério Público Eleitoral, no entanto, recorreu ao TSE.





