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Na CPI, diretor da PF critica “glamourização” do crime organizado

Ao falar sobre organizações criminosas, o diretor-geral da PF citou a operação Compliance Zero, deflagrada na manhã de hoje e que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, do Banco Master, detido preventivamente por suspeita de participação em fraudes em esquema...

Na CPI, diretor da PF critica “glamourização” do crime organizado

“Essa atribuição desenfreada de crime organizado a toda e qualquer evento, termina muitas vezes destorcendo essa realidade e dificultando o enfrentamento a esse fenômeno. É preciso, isso diferenciar os crimes até para não ‘glamourizar’ o crime organizado

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, defendeu nesta terça-feira (18/11), durante a primeira oitiva da Comissão Paramentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que haja uma diferenciação do que as autoridades estão enfrentando quando se trata de crime organizado e afirmou que não se deve “glamourizar” as ações delituosas.

“Essa atribuição desenfreada de crime organizado a toda e qualquer evento, termina muitas vezes destorcendo essa realidade e dificultando o enfrentamento a esse fenômeno […] É preciso, isso [diferenciar os crimes] até para não ‘glamourizar’ o crime organizado e tratar organização criminosa como entidades que precisam ser muito respeitadas e supervalorizadas que levam à distorções, ou promoção pessoa, ou apelo midiático de pessoas que não têm compromisso com interesse público”, afirmou Rodrigues.

Ao falar sobre organizações criminosas, o diretor-geral da PF citou a operação Compliance Zero, deflagrada na manhã de hoje e que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, do Banco Master, detido preventivamente por suspeita de participação em fraudes em esquema de emissão de títulos de crédito falsos.

Segundo Andrei, é estimado que o crime sob investigação tenha a monta de cerca de R$ 12 bilhões. “Por isso que eu digo que é preciso botar a bola no chão, separar o que é relevante para que a gente consiga fazer esse enfrentamento [ao crime organizado]”, concluiu o diretor da PF.

Rodrigues seguiu falando sobre as ações da PF contra o crime organizado, e citou dados da corporação nesse combate. Depois, passou a ser questionado pelo relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB).

A primeira reunião destinada a oitiva de autoridades na CPI do Crime Organizado ocorre no mesmo dia em que a Câmara pretende votar o Projeto de Lei Antifacção, que tem gerado críticas inclusive dentro da PF, que soltou uma nota na última semana dizendo que acompanhava “com preocupação” as alterações produzidas pelo relatório sobre o Projeto de Lei Antifacção, endossando a proposta do governo Lula, em detrimento a um relatório anterior de Guilherme Derrite (PP-SP), que enfraquecia a corporação.

“A proposta original, encaminhada pelo Governo do Brasil, tem como objetivo endurecer o combate ao crime e fortalecer as instituições responsáveis pelo enfrentamento às organizações criminosas. Entretanto, o texto em discussão no Parlamento ameaça esse propósito ao introduzir modificações estruturais que comprometem o interesse público”, escreveu a PF.

Ainda, chamava a atenção para possíveis “restrições significativas” nos trabalhos da PF, que dependeria de uma aval dos governadores estaduais para executar operações, o que, segundo a corporação”, “constitui um risco real de enfraquecimento no combate ao crime organizado”.

Além de Andrei, o diretor de inteligência policial da PF, Leandro Almada, também foi convidado para comparecer à CPI, mas não está presente na reunião. O presidente contarato já afirmou que deve reiterar o convite em data próxima.

O convite para que os diretores da corporação falassem aos senadores foi apresentado pelo relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), e aprovado no mesmo dia da instalação da CPI, juntamente com outros requerimentos para ouvir o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e 11 governadores.