
“Fizemos a coisa formalmente, para não parecer interesse, e acabamos cedendo a música de graça. O Zezé ficou maravilhado com o Lula, disse que ele estava preparado mesmo para governar”.
A apresentação ocorreu em agosto de 2025. Pelo contrato, publicado no Diário Oficial dos Municípios, o cantor recebeu R$ 486 mil. Nas redes sociais, Zezé criticou a linha adotada pelo SBT após a morte de Silvio Santos, a quem atribui uma orientação política diferente da atual direção da emissora. Disse que esse foi um dos motivos centrais para sua saída e chegou a pedir para não ter sua imagem vinculada a um festival natalino.
No desabafo, afirmou que as mudanças promovidas pelas filhas de Silvio Santos na gestão do canal não combinam com seus valores pessoais e usou termos agressivos para se referir a elas.
Apesar das críticas, Zezé não demonstrou incômodo em se apresentar em cidades com dificuldades financeiras. Novo São Joaquim está em situação de emergência desde janeiro e, ainda assim, destinou recursos elevados para o evento. O município já havia gasto R$ 450 mil em um show do cantor Eduardo Costa, também apoiador de Jair Bolsonaro.
Ricardo Kotscho, integrante da campanha de Lula, afirmou que a atuação de artistas em comícios segue uma lógica profissional. Segundo ele, Zezé e Luciano já participaram de campanhas de diferentes partidos e, em geral, apenas se apresentam e deixam o local. No caso da campanha petista, porém, houve momentos de interação política no palco.
RELEMBRE | Hoje apoiador da extrema-direita, Zezé de Camargo cantou na posse de Lula em 2003.
Mas apesar do chilique, vai fazer show com verba federal mês que vem.
— Romulo Dias ?? (@RomuloBDias) December 15, 2025
Adilson Laranjeiras, assessor de Paulo Maluf, resumiu esse modelo de forma direta: quem paga mais, contrata. Ele afirmou que, em campanhas recentes, preferiu não investir em atrações musicais.
Paulo Viana, advogado da dupla Zezé Di Camargo & Luciano, afirma que a relação com o PT começou quando ele ouviu a música da dupla “Meu País” sendo gravada num estúdio, e há três anos fez a aproximação com Lula.
“Percebi que a música tinha a cara do Lula, insisti para ele escutar. Ele adorou. Em 2001, o Duda Mendonça negociou a cessão dos direitos da música, disse que ia usá-la no horário político. Como teve uma repercussão grande, o Lula quis conhecer o Zezé e agradecer a cessão”, diz Viana.
“Fizemos a coisa formalmente, para não parecer interesse, e acabamos cedendo a música de graça. O Zezé ficou maravilhado com o Lula, disse que ele estava preparado mesmo para governar”.





