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El Niño: 13,3 mil podem morrer por calor extremo no Brasil

O Brasil ocupa a quinta posição entre os países com maior número estimado de óbitos ligados ao excesso de calor. Nigéria, com 31,4 mil mortes previstas, Indonésia, com 19,3 mil, Sudão, com 17,5 mil, e Índia, com 15,8 mil, aparecem...

El Niño: 13,3 mil podem morrer por calor extremo no Brasil

A estimativa integra um relatório do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, que projeta 451 mil mortes no mundo.

O El Niño pode causar 13,3 mil mortes associadas a dias de calor extremo no Brasil entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, período previsto para o auge do fenômeno. A estimativa integra um relatório do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, que projeta 451 mil mortes no mundo.

O Brasil ocupa a quinta posição entre os países com maior número estimado de óbitos ligados ao excesso de calor. Nigéria, com 31,4 mil mortes previstas, Indonésia, com 19,3 mil, Sudão, com 17,5 mil, e Índia, com 15,8 mil, aparecem à frente.

A margem de erro calculada para a projeção brasileira é de 700 mortes, para mais ou para menos. O levantamento considera os efeitos do calor sobre a mortalidade acima da média registrada entre 1996 e 2025.

“É um número tão elevado que pode nos deixar insensíveis, mas ele é composto por pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que trabalham, cuidam de suas famílias e vivem suas vidas”, afirmou Michael Greenstone, cofundador do laboratório e professor da Universidade de Chicago.

O relatório calcula que 49% das mortes projetadas se concentram em 50 países do Sul Global, somando 220,5 mil óbitos. A África reuniria 130,2 mil dessas mortes, ou 59% do grupo, seguida pela Ásia, com 62,2 mil, e pela América Latina, com 24,2 mil.

Entre os países desenvolvidos, Estados Unidos e Itália são os únicos incluídos na lista dos mais atingidos, com estimativas de 3.500 e 780 mortes, respectivamente. Juntos, os dois representam menos de 2% do total projetado.

Os pesquisadores analisaram 24.378 regiões do mundo e levaram em conta diferenças de clima local, vulnerabilidade da população e capacidade de adaptação de cada país. Em seguida, aplicaram a relação entre temperatura e excesso de mortalidade às previsões climáticas de longo prazo.

O estudo avalia apenas mortes relacionadas ao calor excessivo e não inclui outros efeitos que podem acompanhar o El Niño, como secas, incêndios florestais e inundações. A Organização Meteorológica Mundial e a agência climática dos Estados Unidos avaliam que o fenômeno pode se tornar o mais intenso já registrado.