
"Não somos um pedaço de gelo. Somos uma população orgulhosa de 57 mil pessoas, que trabalha todos os dias como bons cidadãos globais, respeitando plenamente todos os nossos aliados".
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, pediu aos países da Otan, a aliança militar ocidental, que se unam na defesa do direito internacional, rebatendo as declarações mais recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a ilha ártica. As informações são da CNN Brasil.
Trump expressou sua frustração com a relutância da Otan em se envolver na guerra contra o Irã, que ele iniciou com Israel, afirmando em uma publicação nas redes sociais que a aliança militar não estava presente quando necessário e não estaria “se precisarmos dela novamente”.
“Lembrem-se da Groenlândia, aquele grande pedaço de gelo mal administrado”, comentou o presidente americano em seguida.
Nielsen criticou a fala de Trump em entrevista à Reuters: “Não somos um pedaço de gelo. Somos uma população orgulhosa de 57 mil pessoas, que trabalha todos os dias como bons cidadãos globais, respeitando plenamente todos os nossos aliados”.
Ele destacou a importância de manter a ordem geopolítica pós-guerra, incluindo a aliança de defesa da Otan e o direito internacional respeitado globalmente.
“Essas coisas estão sendo desafiadas agora, e acho que todos os aliados devem se unir para tentar mantê-las. Espero que isso aconteça”, pontuou.
Os aliados da Otan já estavam se mobilizando no início deste ano para encontrar maneiras de manter a aliança unida, depois que Trump retomou a pressão para tomar a Groenlândia da Dinamarca, que também integra a aliança.
Em janeiro, a Casa Branca afirmou que Trump estava considerando o uso da força militar na ilha, o que levou a Alemanha, a França e outras nações europeias a enviarem pequenos contingentes de tropas para a região, em uma mensagem de solidariedade e dissuasão.
O presidente americano recuou posteriormente, após conversas com Mark Rutte, secretário-geral da Otan, afirmando que “a estrutura de um futuro acordo” havia sido formada.
Porém, as críticas mais recentes foram feitas após uma nova reunião com Rutte na quarta-feira (8).
A Groenlândia, a Dinamarca e os Estados Unidos iniciaram negociações diplomáticas no final de janeiro, e Nielsen afirmou que elas ainda estão em andamento, com mais reuniões agendadas.
Trump e seus apoiadores afirmam que os EUA precisam da Groenlândia para repelir as ameaças da Rússia e da China no Ártico e que a Dinamarca não pode garantir sua segurança.
Os Estados Unidos já possuem uma base na ilha e poderiam expandir sua presença lá, conforme um tratado de 1951.
“Seria estranho, quando todas as partes querem discutir uma maior cooperação em defesa, não levar em consideração esse acordo (de 1951)”, disse Nielsen, recusando-se a entrar em detalhes sobre o que estava sendo discutido nas negociações.
Apesar das negociações, o premiê deixou claro que não acreditava que Trump tivesse abandonado suas ambições em relação à ilha: “Não consigo ver que seu desejo de assumir o controle da Groenlândia tenha sido descartado”, afirmou.





