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Dólar fica estável e Bolsa cai com petróleo a US$ 101 e impasse no Irã

As tensões entre Estados Unidos e Israel, de um lado, e o Irã, do outro, seguem firmes e têm como um dos principais focos o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quinto da produção global de petróleo....

Dólar fica estável e Bolsa cai com petróleo a US$ 101 e impasse no Irã

Na véspera, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogou o cessar-fogo, cujo prazo expirava nesta quarta-feira. Mas o impasse entre Washington e Teerã não cedeu.

O dólar registrou leve queda de 0,02% frente ao real, cotado a R$ 4,97, nesta quarta-feira (22/4). Como a variação foi pequena, na prática, a moeda americana manteve-se estável em relação à divisa brasileira. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em forte baixa de 1,65%, aos 192.888,96 pontos.

Mais uma vez, os mercados de câmbio e ações seguiram o ritmo ditado pela guerra no Irã – e suas consequências na cotação do petróleo. Na véspera, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogou o cessar-fogo, cujo prazo expirava nesta quarta-feira. Mas o impasse entre Washington e Teerã não cedeu.

As tensões entre Estados Unidos e Israel, de um lado, e o Irã, do outro, seguem firmes e têm como um dos principais focos o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quinto da produção global de petróleo. E nesta quarta-feira a passagem marítima voltou ao centro do teatro de guerra.

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que reabrir Ormuz é impossível diante do que considera uma “violação flagrante” do cessar-fogo. No caso, ele se referia ao bloqueio naval dos Estados Unidos a portos iranianos.

O resultado imediato desse impasse foi uma nova alta na cotação internacional do petróleo. O preço do barril para junho do tipo Brent, a referência internacional, subiu 3,48%, a US$ 101,91. O West Texas Intermediate (WTI, que baliza o mercado americano) avançou 3,67%, a US$ 92,96 o barril.

O real, porém, resistiu à tendência de alta do dólar no exterior. De acordo com o índice DXY, a moeda americana subiu 20% em relação a uma cesta de divisas fortes, formada pelo euro, iene, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço.

Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a queda do real foi resultado, basicamente, de dois fatores. Um deles foi o diferencial de juros, ainda favorável à moeda brasileira. Isso ajuda, por exemplo, no carry trade.

Carry trade, grosso modo, é a estratégia por meio da qual os investidores tomam empréstimos em uma moeda com juros baixos (em países desenvolvidos, por exemplo) e investem esses recursos em uma economia com juros altos (no caso, o Brasil).

Além disso, diz Shahini, os termos de troca (a relação entre o índice de preços de exportação e os de importação) seguem favorecendo o real. O Brasil, por exemplo, é um exportador de petróleo e o aumento da cotação da commodity favorece as transações nacionais.

A queda do Ibovespa refletiu a cautela dos investidores com o cenário internacional. Além disso, também indicou um movimento de realização de lucros por parte de investidores depois do feriado de Tiradentes.

Entre as principais ações que compõem o índice, apenas a Petrobras subiu, valendo-se da elevação do preço do petróleo no mercado internacional. Os papéis da petroleira (as ações ordinárias, com direito a voto em assembleias) subiram 1,89% no pregão, a R$ 57,52.