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Ricardo Nunes bancou despesas de R$ 3,5 milhões para produtora de “Dark Horse”

O valor saiu da Secretaria Municipal de Turismo, então comandada pelo pastor e deputado estadual Rui Alves (Republicanos), e foi executado pela SPTuris, sob gestão de Gustavo Pires, exonerado depois de denúncias envolvendo a empresa municipal.

Ricardo Nunes bancou despesas de R$ 3,5 milhões  para produtora de “Dark Horse”

Prefeitura de São Paulo gastou R$ 3,5 milhões para cobrir despesas da Connect Faith 2025, feira gospel de inovação realizada por Karina Gama, produtora executiva de “Dark Horse”, cinebiografia ficcional sobre Jair Bolsonaro (PL).

A Prefeitura de São Paulo gastou R$ 3,5 milhões para cobrir despesas da Connect Faith 2025, feira gospel de inovação realizada por Karina Gama, produtora executiva de “Dark Horse”, cinebiografia ficcional sobre Jair Bolsonaro (PL). O evento ocorreu entre 12 e 15 de junho do ano passado, no Expo Center Norte.

O valor saiu da Secretaria Municipal de Turismo, então comandada pelo pastor e deputado estadual Rui Alves (Republicanos), e foi executado pela SPTuris, sob gestão de Gustavo Pires, exonerado depois de denúncias envolvendo a empresa municipal.

A feira foi organizada pela Academia Nacional de Cultura, presidida por Karina, que também se apresenta como “presidente” da Connect Faith. Ela ainda comanda o Instituto Conhecer Brasil, ONG que firmou contrato de R$ 108 milhões com a gestão Ricardo Nunes (MDB) para instalar pontos de wi-fi na cidade e passou a ser investigada pela Polícia Civil.

Segundo a apuração, os gastos não constavam no Diário Oficial e só podiam ser encontrados em pastas zipadas dentro do portal de processos da prefeitura, o que dificultava a localização por buscas de palavras-chave. A planilha de “custo final” da feira mostra que a gestão municipal bancou despesas de pessoal, infraestrutura e materiais.

A Connect Faith cobrou ingressos para shows e palestras e vendeu cotas para patrocinadores e expositores. O modelo usado pela prefeitura é classificado como “apoio”, mecanismo pelo qual secretarias repassam recursos à SPTuris para bancar serviços de eventos escolhidos sem a mesma transparência exigida em patrocínios.

Veja os gastos da SPTuris com o evento

Ao contrário do patrocínio, que exige solicitação formal, documentação, contrapartidas e prestação de contas, o “apoio” não registra publicamente quem pediu os recursos nem quem aprovou a despesa.

No caso da Connect Faith, só após investigações do Tribunal de Contas do Município e do Ministério Público a Secretaria Municipal de Turismo passou a informar alguns solicitantes. Para a feira, aparece a “Academia Nacional de Cultura”.

Ao Metrópoles, a Secretaria Municipal de Turismo informou “que as contratações mencionadas respeitaram todos os trâmites previstos na legislação. O apoio do Município ao The Connect Faith foi concedido com base no Decreto Municipal nº 61.244/2022 e destinado à infraestrutura do evento, que teve público estimado em 60 mil pessoas entre os dias 12 e 15 de junho de 2025. Por fim, a administração repudia qualquer tentativa da imprensa de criar relações entre iniciativas do Município e a produção cinematográfica do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Prefeitura de São Paulo reitera que a obra não recebeu recursos municipais”.