
Antes de subir ao palco do Espaço Favela, no Rock in Rio, neste domingo (6), Xamã olhou para a própria trajetória e afirmou que sua vida é uma espécie de colcha de retalhos.
Antes de subir ao palco do Espaço Favela, no Rock in Rio, neste domingo (6), Xamã olhou para a própria trajetória e afirmou que sua vida é uma espécie de colcha de retalhos. Das batalhas de rima à televisão, passando pelo samba, pelo repente, pela crítica social e agora por um álbum com referências caribenhas, o artista diz que nunca teve muito interesse em caber em uma única definição.
Recém-lançado, “Flerte” é um disco mais curto e dançante que o anterior, “Fragmentado”, lançado em 2025 após cinco anos de intervalo. O novo trabalho tem oito faixas e aposta em uma mistura de rap com afrobeat, dancehall, house e ritmos latinos.
— Quando fiz o “Fragmentado”, na época da novela, estava muito focado em fazer músicas underground, escrevendo muito. Ficava cíclico e profundo. Nesse novo trabalho, “Flerte”, tentei fazer mais rápido. Em vez de ser longo, como o “Fragmentado”, que durou cinco anos, fiz esse em alguns meses. As rimas não saíram com tantas proparoxítonas (risos). É mais para dançar, ter um gingado.
A presença no Espaço Favela tem, para Xamã, um significado que vai além de mais um show. O rapper já havia se apresentado no festival em 2019, justamente no espaço dedicado à cultura periférica. Naquele ano, chegou a levar a família para assistir ao evento. Agora, retorna como um dos nomes de destaque da programação.
— Eu só queria apresentar coisas novas, mas só tinha uma caixa de som e um microfone e agora tô sendo entrevistado aqui. É uma honra — afirma ele, que afirma que ocupar um palco como o do Rock in Rio também representa uma mudança na maneira como artistas vindos das periferias são enxergados: — O favelado hoje tá no palco do Rock in RIo cantando, dançando, criando música e fazendo cinema. Acho isso o máximo. Está tendo um aumento da cultura de rua e a gente está sonhando e realizando ao mesmo tempo. Foi difícil para caramba mostrar o nosso trabalho naquela época. Hoje em dia a gente está feliz em ter mais oportunidades de ter mais espaço.
Quais são as referências de Xamã? Ele responde:
— Tem dia que acordo ouvindo Raça Negra, em outros ouço Linkin Park, Jorge Ben Jor. Gosto de ouvir coisas novas. Semana passada, eu estava ouvindo BokaLoka e Swing & Simpatia. Na outra, Caetano Veloso
Xamã ganhou projeção nacional não apenas pelo rap e por sucessos como “Malvadão 3”, mas também pela atuação. Em 2024, interpretou Damião em “Renascer”, papel que o aproximou de uma audiência diferente. Em 2025, ele foi o bandido Bagdá em “Três graças”. O artista fala do repertório que tem apresentado em suas performances e do público que o acompanha depois do sucesso na TV:
— Canto desde o “Poesia acústica”, passando pelo “Fragmentado”, o dueto com Marília Mendonça em “Leão”. Vou trazer tudo isso. Depois que comecei a trabalhar com novela, minha carreira foi meio fragmentada, e nos meus shows começaram a vir senhorinhas que me conheceram na novela, crianças que gostam das músicas, o pessoal que curte os love songs. Todo mundo vem pro nosso show e a gente acha maneiro poder ver isso. Em todo lugar que a gente vai, tem pessoas que conhecem a gente por uma faceta diferente e é muito bom todo mundo fazer essa festa junto.]





