
“Sabe qual é a diferença? Que os meus bolsonaristas são todos homens honrados, limpos. Nenhum deles é picareta”, declarou.
O pré-candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), defendeu neste domingo (31) sua aproximação com lideranças bolsonaristas no estado e afirmou que os aliados “dele” são diferentes dos bolsonaristas ligados ao grupo adversário. A fala foi dada em Barbalha, durante a tradicional missa de bênção da bandeira de Santo Antônio.
Questionado sobre críticas do senador Camilo Santana (PT), que disse que Ciro estaria se aliando a bolsonaristas, o ex-governador respondeu com uma distinção direta. “Sabe qual é a diferença? Que os meus bolsonaristas são todos homens honrados, limpos. Nenhum deles é picareta”, declarou.
Ciro afirmou que decidiu procurar lideranças de oposição no Ceará porque, segundo ele, o grupo governista passou a “reinar, mandar e desmandar” no estado. O tucano disse que sua articulação tem como objetivo reunir forças contra o PT e “livrar o Ceará desta ditadura corrupta que está implantada aqui”.
Entre os nomes citados por Ciro está Capitão Wagner, adversário histórico dos Ferreira Gomes. O ex-ministro disse que procurou o aliado do PL, reconheceu ataques antigos e pediu desculpas publicamente. “Eu não queria nem ouvir falar no Capitão Wagner, só porque ele era adversário do meu irmão Cid, e eu cegamente atacava”, afirmou.
A aproximação com o bolsonarismo é hoje um dos pontos mais sensíveis da tentativa de Ciro de voltar ao governo estadual. Segundo a Veja, faixas espalhadas por Fortaleza passaram a chamá-lo de “Cironaro”, numa referência à aliança com nomes do PL. A estratégia busca transformar a ligação com bolsonaristas em munição para PT, Camilo Santana e Elmano de Freitas.
Ciro tenta reativar sua imagem de gestor no Ceará, onde governou de 1991 a 1994 e construiu parte de sua base política. A dificuldade é conciliar esse capital histórico com uma aliança que inclui setores bolsonaristas, especialmente em um estado onde Lula e Camilo mantêm alta aprovação.
Ciro tenta responder dizendo que o PT também convive com aliados oriundos do PL e do bolsonarismo. Citou o prefeito de Sobral, Júlio Mano e “Úrido Paredão” como exemplos. A fala, porém, aparenta reforçar que para enfrentar o grupo de Camilo no Ceará, o cearense passou a defender uma aliança com bolsonaristas que até pouco tempo atrás tratava como fortes adversários.





