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Impopular na Argentina, Milei vem ao Brasil prestar apoio a Flávio Bolsonaro

Pesquisas divulgadas em 2026 indicam que a desaprovação de Javier Milei já supera 60% em alguns levantamentos. A imagem positiva do presidente, que chegou ao poder prometendo combater a chamada “casta política”, caiu para aproximadamente um terço do eleitorado, enquanto...

Impopular na Argentina, Milei vem ao Brasil prestar apoio a Flávio Bolsonaro

Milei desembarcará no Brasil em um momento de forte desgaste em seu próprio país, marcado pela perda de popularidade, pela deterioração das condições de vida da população e pelos efeitos de uma política econômica baseada em cortes de gastos, redução do Estado e compressão da renda.

O presidente da Argentina, Javier Milei, impopular em seu próprio país em razão da destruição social e econômica que produziu, viajará ao Brasil para participar da convenção do Partido Liberal que deverá oficializar a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro neste fim de semana. Segundo informações da emissora argentina C5N, a presença de Milei no evento representa um gesto explícito de apoio à extrema-direita brasileira e tende a aprofundar as tensões diplomáticas com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pesquisas divulgadas em 2026 indicam que a desaprovação de Javier Milei já supera 60% em alguns levantamentos. A imagem positiva do presidente, que chegou ao poder prometendo combater a chamada “casta política”, caiu para aproximadamente um terço do eleitorado, enquanto crescem as críticas relacionadas à perda do poder de compra, ao desemprego, à precarização do trabalho e a denúncias envolvendo integrantes de seu governo.

O desgaste evidencia a distância entre a propaganda oficial e a realidade enfrentada pela maioria dos argentinos. Embora o governo comemore a desaceleração da inflação mensal, o custo acumulado das políticas de Milei permanece elevado. A inflação argentina acumulou 16,8% apenas no primeiro semestre de 2026 e chegou a 33,5% em 12 meses, mesmo após o índice mensal recuar para 1,9% em junho.

A chamada estabilização promovida pelo governo Milei foi construída sobre um ajuste fiscal radical. Os cortes atingiram aposentadorias, universidades, investimentos públicos, programas sociais e repasses às províncias, comprometendo serviços essenciais e aprofundando a desigualdade.

O desemprego oficial chegou a 7,5%, enquanto aumentaram a informalidade e o número de famílias endividadas para pagar despesas básicas. Mesmo diante de estatísticas oficiais que apontam redução da pobreza, milhões de argentinos continuam sem perceber qualquer melhora concreta em suas condições de vida.

O consumo de alimentos básicos permanece pressionado, os salários perderam poder aquisitivo e a população passou a recorrer com maior frequência ao crédito para custear itens essenciais. Uma análise crítica publicada em 2026 apontou que 91% das famílias argentinas tinham algum tipo de dívida e que o salário mínimo havia sofrido uma forte perda de valor real durante o governo Milei.

A presença de Milei na convenção do PL também deverá aumentar a tensão entre Buenos Aires e Brasília. Desde que assumiu a Presidência argentina, o dirigente ultraliberal tem mantido uma relação hostil com Lula e buscado proximidade com lideranças da extrema-direita internacional.

Ao comparecer ao lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, Milei abandona qualquer aparência de neutralidade diplomática e interfere diretamente no processo eleitoral do maior parceiro comercial da Argentina.

O gesto também chama atenção porque Brasil e Argentina são os principais integrantes do Mercosul e mantêm cadeias produtivas profundamente integradas. Uma deterioração política entre os dois governos pode prejudicar negociações comerciais, projetos de infraestrutura e estratégias conjuntas de desenvolvimento regional.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, rejeitou o pedido. A decisão destacou que o ex-presidente está impedido de receber visitas de natureza político-eleitoral. O encontro estava previsto para 25 de julho, durante a passagem de Milei pelo Brasil.

Bolsonaro cumpre pena em casa por razões de saúde, sob vigilância e com restrições ao uso de telefones e ao contato com pessoas de fora de seu círculo familiar e médico. As condições do regime domiciliar deverão ser reavaliadas pelo STF.

As restrições foram reforçadas depois que Flávio Bolsonaro divulgou nas redes sociais uma carta escrita pelo pai em apoio à sua candidatura. Moraes considerou que a iniciativa poderia representar uma violação da proibição imposta ao ex-presidente de utilizar redes sociais direta ou indiretamente. O ministro também proibiu Flávio de visitar o pai durante 90 dias.

A movimentação demonstra a tentativa de Milei de formar um eixo político regional de direita, utilizando viagens internacionais para reforçar sua imagem junto a aliados ideológicos enquanto enfrenta dificuldades crescentes dentro da Argentina.

A estratégia externa funciona também como uma tentativa de desviar a atenção dos problemas internos. Apesar do discurso de eficiência econômica, o governo argentino lida com queda de popularidade, perda de renda, deterioração dos serviços públicos e questionamentos sobre sua capacidade de produzir crescimento com inclusão social.

A participação de Milei na convenção do PL deverá ser explorada pela campanha de Flávio Bolsonaro como demonstração de apoio internacional. No entanto, também expõe o candidato brasileiro ao desgaste de um governo argentino marcado por políticas que produziram graves consequências sociais.

Milei chega ao Brasil não como o símbolo de um modelo econômico bem-sucedido, mas como um presidente cada vez mais impopular, cujo programa de austeridade aprofundou o sofrimento de trabalhadores, aposentados e setores produtivos argentinos.

O apoio a Flávio Bolsonaro revela a tentativa da extrema-direita latino-americana de recompor uma articulação regional. Ao mesmo tempo, oferece ao eleitor brasileiro uma amostra concreta das consequências econômicas e sociais de um projeto baseado no desmonte do Estado, na retirada de direitos e na submissão das políticas públicas aos interesses do mercado financeiro.