
Um dos nomes centrais da cultura gaúcha, ele marcou gerações como músico, compositor e integrante do grupo Os Fagundes, formado por artistas de sua própria família.
Euclides Fagundes Filho, conhecido como Bagre Fagundes, morreu neste domingo (2), aos 86 anos. Um dos nomes centrais da cultura gaúcha, ele marcou gerações como músico, compositor e integrante do grupo Os Fagundes, formado por artistas de sua própria família. Bagre foi coautor de Canto Alegretense, uma das canções mais simbólicas da música do Rio Grande do Sul, composta em parceria com o irmão Antônio Augusto Fagundes, o Nico Fagundes, morto em 2015. A música se tornou um hino não oficial do Estado e ganhou projeção nacional com versos que celebram o Alegrete e a identidade gaúcha.
Nascido em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, Bagre cresceu no Alegrete ao lado de seis irmãos e cinco irmãs. Era filho de Euclides Fagundes e Florentina Fagundes. Foi casado por mais de seis décadas com Marlene Vilaverde, com quem teve quatro filhos: Euclides, conhecido como Neto Fagundes, Ernesto, Luciana e Paulinho.
Com sua gaita de quatro baixos, Bagre percorreu diferentes regiões do Rio Grande do Sul tocando, cantando e divulgando a cultura regional. Sua trajetória artística esteve fortemente ligada à família, tanto nas composições feitas com Nico quanto nos projetos musicais desenvolvidos com os filhos.
Os versos “Eu sei que não vou morrer/ Porque de mim vai ficar/ O mundo que eu construí/ O meu Rio Grande, o meu lar” ajudaram a eternizar a associação entre Bagre, sua família e a música nativista.
Além da música, Bagre também teve participação no audiovisual. Ele atuou em O Grande Rodeio, filme produzido por Nico Fagundes, no qual interpretou um artista popular que tocava Mané Romão com sua gaita na Praça Getúlio Vargas, no Alegrete.
Em depoimento à Zero Hora, também em 2024, Bagre contou que a cena foi feita com moradores da região e acabou entrando no filme. “A câmera me filmava saindo de Alegrete e, depois, chegando em São Borja. Não ganhei nada para fazer a minha participação, o Fusca era meu e ainda tive que pagar a gasolina do meu bolso (risos)”, disse. “Foi uma tentativa do Nico de fazer um filme totalmente rodado no Rio Grande do Sul, e ele fez. Saiu um filme agradável, bem-intencionado.”
O projeto abriu caminho para Os Fagundes, grupo fundado em 2001 e que contou com Nico Fagundes até sua morte, em 2015. Na formação mais recente, Paulinho Fagundes também passou a integrar o conjunto, reforçando a marca familiar que acompanhou toda a trajetória de Bagre.
Uma das canções mais emblemáticas dessa relação é De Filho para Pai, composta por Ernesto Fagundes e Vaine Darde. A música coloca Ernesto e Bagre em diálogo, com versos que expressam afeto, herança artística e continuidade familiar.
Na canção, Ernesto canta: “Quantas vezes já te disse Mas não custa repetir E cantando digo agora O quanto eu gosto de ti”. Bagre responde: “Ouve, guri, este velho que te adora O nosso negócio é cantar Não me faz chorar agora”. Juntos, os dois completam: “Pois é, pois é A fruta não cai longe do pé”.





