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Justiça de São Paulo rejeita ação da família de Alexandre de Moraes contra Alessandro Vieira

Além de afastar a existência de dolo (intenção explícita de caluniar, difamar ou ofender a honra dos advogados), a sentença ressaltou que não foi apresentada qualquer prova ou acusação concreta de transferência direta de recursos do crime organizado para os...

Justiça de São Paulo rejeita ação da família de Alexandre de Moraes contra Alessandro Vieira

A família solicitava uma reparação financeira no valor de R$ 60 mil, sustentando que havia sido falsamente vinculada por Alessandro Vieira à organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) durante uma entrevista concedida pelo senador.

 A Justiça de São Paulo rejeitou a ação de indenização por danos morais movida pela família do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A decisão é do juiz Fabio de Souza Pimenta, da 32ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, que considerou que o parlamentar está resguardado pela imunidade parlamentar material e que não houve intenção deliberada de ofender os autores do processo, informa Isabel Mega, da CNN Brasil.

O processo foi movido pela esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, e pelos filhos do casal, Giuliana Barci de Moraes e Alexandre Barci de Moraes. A família solicitava uma reparação financeira no valor de R$ 60 mil, sustentando que havia sido falsamente vinculada por Alessandro Vieira à organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) durante uma entrevista concedida pelo senador.

A controvérsia teve origem em declarações nas quais Vieira afirmou existir “circulação de recursos” envolvendo o PCC e “familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes”. Na sequência de sua fala, o parlamentar associou essa movimentação financeira à contratação do escritório de advocacia da família de Alexandre de Moraes pelo Banco Master.

Ao analisar o mérito da causa, o magistrado pontuou que o senador não acusou diretamente a esposa e os filhos do ministro de receberem valores oriundos da facção criminosa, enquadrando o episódio como um desentendimento sobre a interpretação do discurso prestado pelo congressista.

“Não há dúvida de que, se tivesse o requerido afirmado, de forma clara e inequívoca, que os autores teriam recebido valores do PCC, sem certeza da veracidade dessa informação e com dolo de causar dano à imagem dos autores, certamente estaria caracterizada situação a extrapolar a sua imunidade parlamentar, de modo a trazer lhe responsabilidade civil por danos morais que, sem nenhuma dúvida, estariam presentes, por macular a honra e o bom nome dos autores, em especial pela atividade advocatícia que exercem em inequívoco alto nível”, destacou o juiz Fabio de Souza Pimenta em trecho da sentença.

Além de afastar a existência de dolo (intenção explícita de caluniar, difamar ou ofender a honra dos advogados), a sentença ressaltou que não foi apresentada qualquer prova ou acusação concreta de transferência direta de recursos do crime organizado para os membros da família Moraes, configurando-se apenas um “mal-entendido interpretativo” sobre a amplitude das declarações do senador.

Alessandro Vieira atuou como relator da CPI do Crime Organizado no Senado Federal. No parecer final apresentado à comissão — que acabou sendo rejeitado pelos integrantes do colegiado —, o senador havia sugerido o indiciamento por crime de responsabilidade dos ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.