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Lula irá ao Amapá em aceno a Alcolumbre após indício de petróleo na Margem Equatorial

A viagem ocorre depois de a Petrobras informar, na sexta-feira (14), que encontrou indícios de hidrocarbonetos no primeiro poço explorado pela empresa na região, em águas ultraprofundas na costa do Amapá. A confirmação de petróleo ainda depende de novos testes,...

Lula irá ao Amapá em aceno a Alcolumbre após indício de petróleo na Margem Equatorial

O governo também trabalha para que o Ibama anuncie, no mesmo dia da visita presidencial, a autorização para a Petrobras perfurar mais três poços na área: PAD-Morpho, Manga e Crotalus.

A agenda de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Amapá, prevista para segunda-feira (17), combina a defesa da exploração de petróleo na Margem Equatorial com um gesto político ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em meio à retomada da relação entre os dois.

Segundo a Folha de S.Paulo, Lula deve ir ao Oiapoque pela manhã e visitar, ao lado de Alcolumbre, da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do governador Clécio Luís (União Brasil), um navio-sonda da estatal que atua na bacia da Margem Equatorial.

A viagem ocorre depois de a Petrobras informar, na sexta-feira (14), que encontrou indícios de hidrocarbonetos no primeiro poço explorado pela empresa na região, em águas ultraprofundas na costa do Amapá. A confirmação de petróleo ainda depende de novos testes, mas integrantes da estatal avaliam que a probabilidade é elevada.

A descoberta reforça uma das principais linhas de discurso de Lula para a campanha à reeleição: a soberania nacional, associada à independência energética. O presidente tem defendido que o Brasil precisa buscar novas reservas para evitar voltar à condição de importador de petróleo, especialmente a partir de 2034 e 2035, quando a produção do pré-sal deve atingir o pico e começar a cair.

O tema também ganhou peso no contexto das divergências entre o governo brasileiro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nesse cenário, a pauta energética passou a integrar o eixo político em torno do qual Lula pretende apresentar o país como capaz de avançar em um eventual novo mandato, sob o slogan “O Brasil pronto para mais”.

A visita ao Amapá terá ainda forte dimensão política. Lula e Alcolumbre ficaram mais de 90 dias sem conversar após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A reaproximação foi articulada com participação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que organizou um jantar entre os dois.

No plano local, Lula deve declarar apoio à reeleição do governador Clécio Luís, aliado de Alcolumbre. O governador enfrenta uma disputa contra o ex-prefeito de Macapá Dr. Furlan (PSD) e, segundo a Folha, afirmou que fará campanha para o petista.

A exploração na região, porém, segue cercada de controvérsias ambientais. O licenciamento do poço Morpho passou por um dos processos mais conturbados do país, com idas e vindas no Ibama e recomendações técnicas de arquivamento. A licença foi concedida em outubro de 2025, sob pressão de Lula e de políticos da região, especialmente Alcolumbre.

A autorização foi emitida às vésperas da COP30, realizada em Belém, e passou a ser alvo de críticas de organizações ambientalistas presentes ao evento. Para esses grupos, abrir novas fronteiras de exploração de petróleo contraria os alertas científicos sobre a necessidade de reduzir o uso de combustíveis fósseis para enfrentar a crise climática.