
“Antes de casar com Da Silva, Luiz Inácio da Silva, eu já era uma Silva. Com muito orgulho, nasci nessa grande família brasileira, assim como milhões de mulheres espalhadas pelo nosso país”, afirmou.
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, colocou as mulheres no centro de seu discurso durante o lançamento da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, neste domingo (16), no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. Em uma fala marcada pela defesa da participação feminina na vida política e pela reivindicação de políticas públicas voltadas às mulheres, ela afirmou que esse segmento terá papel decisivo na tentativa de conduzir Lula a um novo mandato.
A declaração foi feita pela própria primeira-dama durante o ato político. Janja iniciou o pronunciamento destacando sua origem familiar e a identificação com milhões de brasileiras que carregam o sobrenome Silva. “Antes de casar com Da Silva, Luiz Inácio da Silva, eu já era uma Silva. Com muito orgulho, nasci nessa grande família brasileira, assim como milhões de mulheres espalhadas pelo nosso país”, afirmou.
Ao desenvolver a ideia, Janja argumentou que nenhuma mulher pode ser reduzida à condição de “só mais uma”, diante da multiplicidade de funções assumidas diariamente. “Cada uma de nós é muita coisa. Somos muitas em uma. Somos mães, filhas, avós, tias, estudantes, professoras, empreendedoras, doutoras, somos chefe de família, somos mães solo, base de sustentação da nossa casa, financeira e emocionalmente”, declarou. Em seguida, resumiu: “Somos quem segura as pontas, afinal de contas”.
Janja também ressaltou que os avanços femininos resultam da organização em diferentes espaços da sociedade. “Nossa luta, a luta das mulheres, sempre foi coletiva. Nos fortalecemos em casa, no trabalho, na comunidade, todas por todas, porque juntas somos um horizonte infinito”, afirmou. Na sequência, evocou diferentes nomes e sobrenomes para simbolizar a diversidade das brasileiras: “Um grande mar de Marias, de Joanas, de Marieles, de Lindos, um mar de rosas, de margaridas, de Silvas”.
Foi nesse ponto do discurso que Janja fez uma homenagem especial a Marisa Letícia, ex-primeira-dama e mulher de Lula até sua morte. Ao recordar a mobilização sindical do fim da década de 1970, ela destacou o papel das mulheres que, embora não estivessem diretamente no chão das fábricas ou na direção dos sindicatos, deram sustentação às famílias dos trabalhadores envolvidos nas mobilizações.
“Elas eram o alicerce para que seus maridos, sob a liderança desse homem que virou presidente, pudessem lutar por melhores salários e mais dignidade para suas famílias”, afirmou Janja. Segundo ela, essas mulheres tiveram participação relevante em uma história que frequentemente privilegia apenas os personagens que estavam na linha de frente das mobilizações.
“A estrela da nossa bandeira, do nosso partido, traz a nossa memória, o cuidado e o carinho de Dona Marisa. Foi ela quem bordou a primeira bandeira do PT. E é a ela que eu dedico toda a minha admiração”, declarou. A homenagem antecedeu uma segunda parte do discurso, na qual Janja passou a enumerar as demandas que, segundo ela, devem orientar a atuação de um governo comprometido com as mulheres.
Dirigindo-se diretamente a Lula, Janja afirmou que as mulheres esperam um país capaz de ampliar oportunidades e garantir autonomia. “Presidente Lula, somos mulheres com sonhos, opiniões, desejos e muita, muita vontade e determinação de seguir construindo um país cada dia mais justo e igualitário”, declarou. Ela defendeu “um país que siga com portas e janelas abertas para que possamos ocupar os espaços que desejamos” e que ofereça “oportunidade e dignidade”.
A primeira-dama também apresentou o cuidado como responsabilidade do Estado e não apenas como atribuição feminina. “Um país com um presidente que cuide das mulheres e que não pense só nas mulheres como alguém que cuida. Queremos alguém que siga caminhando e cuidando com as mulheres, para que as mulheres também tenham tempo e oportunidade para se cuidar, para descansar, para se divertir”, afirmou.
A saúde em todas as fases da vida também apareceu entre as prioridades defendidas pela primeira-dama. Janja mencionou a necessidade de atendimento às meninas, adolescentes, mulheres adultas e idosas. “Alguém que cuide da nossa saúde em todas as fases da nossa vida, da saúde das nossas filhas, crianças e adolescentes, das nossas mães, tias e sogras idosas”, declarou.
Ela acrescentou à lista o acesso à moradia, ao emprego e à terra. “Que nos garanta acesso à moradia, ao trabalho e às terras para a gente plantar, cultivar e colher nossos sonhos”, afirmou. Janja também cobrou proteção das mulheres em diferentes ambientes e a preservação de seus direitos: “Alguém, presidente Lula, que não só governe, mas que cuide de nós, que olhe com atenção para nossas filhas, irmãs, mães, avós. Alguém que assegure nossos direitos e garanta a nossa proteção em todos os ambientes”.
Na reta final do pronunciamento, a primeira-dama relacionou a força política das mulheres ao peso que elas possuem na população e no eleitorado brasileiro. “Nós, as mulheres, as da Silva, as Pereira, as Souza, as Oliveiras, as Santos, somos a maioria da população, somos a maioria do eleitorado, somos as guardiãs da democracia”, afirmou.
Na sequência, reforçou a mensagem: “Nós, presidente Lula, estamos prontas para mais. E juntas, na nossa luta histórica e coletiva, sim, vamos te eleger mais uma vez”. A primeira-dama justificou a defesa da candidatura afirmando que Lula, segundo sua avaliação, esteve historicamente próximo das pautas femininas.
“Porque você, presidente Lula, sempre esteve ao nosso lado, ao lado das mulheres do Brasil”, afirmou Janja. Ela concluiu o pronunciamento com uma palavra de ordem que reuniu a defesa da vida das mulheres e o apoio político ao presidente: “Viva as mulheres, mulheres vivas com Lula presidente!”





