
“A imprensa brasileira comprou uma mentira, vendeu a mentira e nunca reconheceu que comprou a mentira”, afirmou.
O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, fez uma dura cobrança à imprensa durante a sabatina da TV Globo nesta quinta-feira (27), exibida após o Jornal Nacional. Ao falar de sua prisão e da Lava Jato, ele afirmou ter sido vítima de uma operação destinada, segundo sua avaliação, a impedi-lo de disputar a eleição de 2018 e a construir uma imagem negativa de sua trajetória política.
Lula disse que poderia ter deixado o Brasil, mas decidiu se apresentar à Polícia Federal e cumprir a ordem de prisão para provar que Sergio Moro e Deltan Dallagnol haviam mentido sobre ele. “A imprensa brasileira comprou uma mentira, vendeu a mentira e nunca reconheceu que comprou a mentira”, afirmou.
A referência era à apresentação feita por Dallagnol em 2016, quando o então procurador colocou Lula no centro de um diagrama usado para apresentar a denúncia do caso do triplex. O episódio se tornou um dos símbolos da Lava Jato e foi amplamente transmitido e repercutido pelos meios de comunicação.
Quando Lula mencionou o PowerPoint, César Tralli tentou intervir e começou a responder: “Em relação a essa questão do PowerPoint, nossos princípios editoriais…”. O apresentador do Jornal Nacional claramente vestiu a carapuça, pois apenas cinco meses antes, a GloboNews havia recorrido a um diagrama semelhante ao tratar do escândalo do Banco Master. O gráfico exibido pelo canal relacionava Lula e outras autoridades ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Dias depois daquela exibição, a GloboNews reconheceu publicamente que o material estava “errado e incompleto”. Andréia Sadi afirmou que o gráfico misturava contatos de naturezas diferentes, não esclarecia os critérios usados para selecionar os nomes e deixava de fora outras figuras já relacionadas publicamente ao caso. Ao final, a apresentadora pediu desculpas e afirmou que o conteúdo estava “em desacordo com os nossos princípios editoriais” — a mesma expressão evocada por Tralli na sabatina desta quinta.
O embate também ocorre depois de decisões do Supremo Tribunal Federal que desmontaram juridicamente parte central dos processos conduzidos em Curitiba contra Lula. Em 2021, o STF confirmou a anulação das condenações ao reconhecer a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar os casos e, separadamente, confirmou a suspeição de Moro na ação do triplex. As decisões não julgaram a atuação da imprensa, mas alteraram o quadro jurídico que havia sustentado a prisão do petista e sua exclusão da eleição de 2018.





