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“Petróleo da Margem Equatorial pode ser mais lucrativo do que o pré-sal”, diz Magda Chambriard

A avaliação reforça a importância estratégica das descobertas realizadas pela Petrobras na Margem Equatorial, região considerada uma das principais apostas da companhia para a reposição de suas reservas e para a manutenção da segurança energética brasileira nas próximas décadas.

“Petróleo da Margem Equatorial pode ser mais lucrativo do que o pré-sal”, diz Magda Chambriard

Apesar do entusiasmo com a qualidade do petróleo encontrado, Magda Chambriard ponderou que não é adequado tratar a Margem Equatorial como um “novo pré-sal”.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou, em entrevista ao Estado de S. Paulo, que o petróleo encontrado na Margem Equatorial brasileira pode apresentar uma lucratividade superior à do pré-sal em razão da qualidade do óleo descoberto. Segundo ela, embora a nova fronteira exploratória não deva ter as mesmas dimensões das reservas do pré-sal, o petróleo identificado é mais leve e, portanto, possui maior valor comercial.

Magda chegou a classificar o produto como um “óleo gourmet” e um “Brent com louvor”, numa referência ao petróleo Brent, utilizado internacionalmente como referência para a formação dos preços da commodity.

A avaliação reforça a importância estratégica das descobertas realizadas pela Petrobras na Margem Equatorial, região considerada uma das principais apostas da companhia para a reposição de suas reservas e para a manutenção da segurança energética brasileira nas próximas décadas.

Apesar do entusiasmo com a qualidade do petróleo encontrado, Magda Chambriard ponderou que não é adequado tratar a Margem Equatorial como um “novo pré-sal”.

Isso, porém, não diminui sua relevância. A Petrobras considera fundamental encontrar novas reservas capazes de compensar, no futuro, o declínio natural da produção dos atuais campos.

A expectativa é especialmente importante porque a produção do pré-sal deverá começar a enfrentar um processo de declínio durante a década de 2030. Novas descobertas poderão ajudar o Brasil a preservar sua condição de grande produtor e exportador de petróleo.

Magda também destacou que a descoberta deve ser analisada sob a perspectiva da segurança energética nacional.

A companhia responde por aproximadamente um terço da oferta de energia primária brasileira. Ao mesmo tempo, a expectativa é que a demanda energética do país cresça pelo menos 50% até 2050.

Nesse cenário, a expansão da produção de petróleo e gás continuará desempenhando papel relevante, mesmo com o avanço das fontes renováveis e da transição energética.

A Petrobras ainda precisa determinar com precisão as características do petróleo encontrado no poço Morpho.

Os estudos permitirão avaliar propriedades do óleo, seu potencial comercial e outras características fundamentais para determinar a viabilidade econômica de uma eventual produção em larga escala.

A presença de gás associado também será analisada.

Grande parte do gás natural produzido no Brasil está associada à produção de petróleo. Por isso, a Petrobras precisará determinar a quantidade existente na descoberta e avaliar as possibilidades técnicas e econômicas de separação e aproveitamento desse gás.

A descoberta representa apenas uma etapa do programa exploratório da Petrobras na região.

A companhia pretende perfurar outros três poços na Margem Equatorial, dando continuidade à avaliação do potencial petrolífero da área.

Para isso, a Petrobras pretende utilizar a plataforma NS-43, dentro das autorizações ambientais concedidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A estratégia é reunir informações suficientes para compreender a extensão das reservas e identificar novas oportunidades exploratórias.

A companhia também avalia outras possibilidades de exploração offshore, incluindo oportunidades no Rio Grande do Norte e o desenvolvimento do campo de Mãe de Ouro.

A possibilidade de construção de uma nova refinaria na região Norte também passou a ser discutida diante das perspectivas abertas pelas descobertas.

Magda Chambriard, porém, considera prematuro falar em um projeto concreto.

Uma decisão desse porte dependeria fundamentalmente do volume de petróleo efetivamente encontrado, da perspectiva de produção comercial e da infraestrutura logística necessária para transportar, processar e distribuir os derivados.

Somente depois da conclusão das etapas exploratórias será possível avaliar se uma nova refinaria faria sentido econômico e estratégico.

Enquanto avança na Margem Equatorial, a Petrobras mantém estudos sobre outras possíveis fronteiras exploratórias brasileiras.

Na bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul, a companhia encontra-se atualmente na etapa de aquisição e interpretação de dados sísmicos.

Ainda não há previsão para o início de perfurações na região.

O objetivo é compreender melhor sua geologia antes de assumir os elevados investimentos necessários para a perfuração de poços exploratórios em águas profundas.

Magda Chambriard também destacou a transformação histórica experimentada pelo setor petrolífero brasileiro.

O país passou de uma situação de forte dependência externa para a autossuficiência e, posteriormente, tornou-se um dos grandes produtores e exportadores mundiais de petróleo.

Essa evolução teve impactos importantes sobre a economia brasileira, contribuindo para a balança comercial, a arrecadação pública, os investimentos e a geração de empregos.

A descoberta de novas fronteiras pode permitir que esse processo continue nas próximas décadas.

A presidente da Petrobras também rejeitou especulações de que a divulgação da descoberta na Margem Equatorial tenha ocorrido com objetivos eleitorais.

Segundo Magda, a companhia comunicou a descoberta assim que obteve informações suficientes para fazê-lo, seguindo critérios técnicos e de transparência.

A Petrobras sustenta que descobertas relevantes devem ser comunicadas ao mercado e à sociedade independentemente do calendário político.

A avaliação da companhia é que a importância da Margem Equatorial ultrapassa qualquer conjuntura eleitoral. Trata-se de uma discussão sobre a capacidade do Brasil de garantir petróleo, gás, investimentos e segurança energética durante as próximas décadas.

Se as próximas perfurações confirmarem o potencial indicado pelos primeiros resultados, a Margem Equatorial poderá se consolidar como uma das principais novas fronteiras petrolíferas brasileiras.

E, mesmo que não alcance as dimensões extraordinárias do pré-sal, a qualidade superior do petróleo encontrado poderá transformar a região em um ativo especialmente rentável e estratégico para a Petrobras e para o Brasil.