
“O meu voto é 13, o meu voto é Lula. Porque não tem como ser diferente disso, diante de todas as circunstâncias que o Brasil tá vivendo agora”, afirmou a artista.
A cantora Anitta declarou publicamente seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez duras críticas ao bolsonarismo, que acusou de estimular a intolerância, a radicalização política e a divisão entre brasileiros. A artista também afirmou que acreditava em uma vitória de Lula no primeiro turno das eleições de 2026, mas reconheceu ter subestimado a força eleitoral dos adversários do presidente.
“O meu voto é 13, o meu voto é Lula. Porque não tem como ser diferente disso, diante de todas as circunstâncias que o Brasil tá vivendo agora”, afirmou a artista.
Anitta disse que seu posicionamento não representa uma mudança de orientação política, mas a continuidade de manifestações públicas feitas ao longo dos últimos anos. Segundo ela, o apoio a Lula já havia sido demonstrado em campanhas, entrevistas, manifestações sobre projetos em discussão no Congresso Nacional e em sua produção artística.
“Eu confesso que esse ano eu fui bem ingênua, eu estava convicta de que o Lula ia ganhar no primeiro turno, por uma arrogância minha mesmo, de achar impossível em 2026 a maioria do país ainda dar credibilidade ao bolsonarismo, mas eu estava errada, né, é importante a gente reconhecer, descer do salto”, declarou.
Uma das principais críticas da cantora foi direcionada à estratégia de comunicação dos apoiadores da família Bolsonaro. Para Anitta, o movimento utiliza as redes sociais, a religião e a repercussão de controvérsias para influenciar o eleitorado, explorando a dificuldade de compreensão de temas políticos complexos.
“O bolsonarismo, ele vive de um mercado que influencia a população através das redes sociais, com base religiosa, radical, e que usa de toda essa complexidade pra confundir o cidadão”, afirmou.
Anitta fez uma distinção entre o bolsonarismo e a direita tradicional brasileira. Ao mencionar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a cantora afirmou que, em sua percepção, as disputas políticas anteriores eram marcadas por maior respeito às regras democráticas e pela aceitação dos resultados eleitorais.
“Nessa época, a direita e a esquerda, elas disputavam, e no fim, cada um aceitava o resultado das votações, parabenizava educadamente seu opositor, e vida que segue. Política, isso é política”, disse.
A cantora citou acusações de fraude nas urnas sem apresentação de provas, ameaças de ruptura institucional e discursos discriminatórios como exemplos de comportamentos que, segundo ela, diferenciam o bolsonarismo da direita convencional.
“Mas quem começou isso foi o bolsonarismo. Por isso que eu não chamo o bolsonarismo de direita, não chamo, chamo de bolsonarismo. Porque a direita, ela sempre existiu, e as coisas não eram assim”, declarou.
Anitta também questionou o alinhamento de setores bolsonaristas ao governo dos Estados Unidos. Sem mencionar nominalmente o presidente norte-americano Donald Trump, a artista acusou o movimento de colocar interesses estrangeiros acima das necessidades da população brasileira.
“O bolsonarismo apresenta bafafá midiático, idolatria ao país estrangeiro, incita a briga entre as pessoas”, afirmou.
“É o fanatismo ao governo estadunidense ao ponto de entregar nosso país e toda a nossa riqueza nas mãos de um cara que tá cagando e andando pro Brasil e pro povo brasileiro”, declarou.
Outro ponto abordado foi a utilização da religião como instrumento de disputa eleitoral. Anitta condenou discursos que apresentam as escolhas políticas como uma oposição entre valores cristãos e comportamentos considerados moralmente condenáveis.
Para a cantora, essa associação contribui para a radicalização do debate e dificulta a discussão de propostas concretas de governo.
Ao justificar seu apoio à reeleição de Lula, Anitta reconheceu que existem problemas e críticas legítimas envolvendo o presidente, mas argumentou que essas questões não devem apagar os resultados das políticas sociais desenvolvidas durante seus governos.
“O fato de você enxergar as problemáticas políticas em torno do Lula, que não podem ser ignoradas, né, isso não pode apagar os benefícios que os projetos dele trouxeram e ainda trazem há anos pra tantas pessoas necessitadas”, afirmou.
A cantora destacou o impacto das iniciativas de combate à pobreza e disse que os relatos de brasileiros beneficiados por essas políticas podem ser encontrados nas redes sociais.
A defesa do legado social do presidente foi apresentada como um dos principais motivos para sua decisão eleitoral. Anitta argumentou que a avaliação de um governo deve considerar os efeitos concretos de suas políticas sobre a população, especialmente sobre os grupos em situação de maior vulnerabilidade.
Durante o vídeo, Anitta também rebateu cobranças sobre a frequência de suas manifestações políticas. Segundo ela, seu engajamento não se limita ao período eleitoral e já provocou consequências para sua popularidade nas redes sociais.
“Sem medo. Perdendo milhões de seguidores, não é milhares, é milhões. Porque eu nunca tive medo”, afirmou.
A artista enumerou causas que apoiou ao longo de 2026, incluindo a defesa dos direitos das mulheres, dos povos indígenas, da preservação ambiental e o combate à intolerância e ao racismo religioso.
Ela também mencionou sua participação em campanhas pelo fim das apostas e pela redução da jornada de trabalho, com destaque para o movimento pelo fim da escala 6×1. Segundo Anitta, autorizou a utilização de uma de suas músicas como tema da campanha trabalhista.
A cantora associou essas iniciativas ao lançamento do álbum Equilíbrio, que descreveu como uma manifestação artística de suas convicções políticas.
Anitta afirmou que a escolha de colaboradores, as entrevistas e a própria produção musical também representam formas de posicionamento público, independentemente de publicações específicas sobre eleições.
“Posicionamento é todos os dias”, afirma Anitta
Na parte final da gravação, a cantora defendeu que o engajamento político deve ser avaliado pelas atitudes cotidianas, e não apenas pelas declarações feitas nas redes sociais.
“Se o futuro do país dependesse só das suas ações, do que você faz, sem valer na conta o que você fala na internet, o que você curte, o que você comenta, que país nós teríamos?”, questionou.
Anitta também mencionou sua trajetória pessoal, destacando sua origem na favela e sua condição de mulher trabalhadora para explicar a importância que atribui à participação no debate público.
“Graças a Deus, quando eu me faço essa pergunta, a minha consciência dorme tranquila”, declarou.
A artista encerrou sua manifestação reiterando que continuará defendendo publicamente suas convicções, independentemente das reações de parte do público.
“Posicionamento não é um dia, não é na hora que se quer, não é na hora que tá virando trende na internet. Posicionamento é todos os dias”, afirmou.
Ao reafirmar o voto em Lula, Anitta apresentou a disputa presidencial de 2026 como uma escolha diretamente relacionada aos valores políticos e sociais que afirma defender ao longo de sua carreira.





