
No agronegócio, que responde por cerca de 75% das vendas brasileiras à região, a queda foi de 25,38% em março, embora o setor ainda acumule alta de 6,8% no trimestre, com US$ 1,44 bilhão.
O fechamento do estreito de Ormuz por causa da guerra no Irã interrompeu a trajetória de alta das exportações brasileiras para os países do Golfo Pérsico, mercados estratégicos para o agronegócio e para produtos minerais do Brasil. Dados da plataforma ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em conjunto com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, mostram que as vendas para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Bahrein e Omã caíram 31,47% em março na comparação anual, somando US$ 537,11 milhões.
Mesmo com a retração nas exportações, a balança comercial do mês fechou com superávit de US$ 41,4 milhões. Isso ocorreu apesar da alta de 113% nas importações no período mais crítico do conflito.
No agronegócio, que responde por cerca de 75% das vendas brasileiras à região, a queda foi de 25,38% em março, embora o setor ainda acumule alta de 6,8% no trimestre, com US$ 1,44 bilhão.

As carnes de aves e derivados, principal item da pauta agropecuária, recuaram 13,8% em março, para US$ 185,5 milhões. No acumulado do ano, a queda é de 2,32%, com US$ 619,12 milhões. Já a carne bovina foi o destaque positivo, com alta de 24,7% no mês e avanço de 65,29% no trimestre, alcançando US$ 194,56 milhões.
“O desempenho maior da carne bovina expressa uma valorização do preço médio desse produto e não da quantidade exportada. O preço da carne para exportação subiu. Mas o efetivo em toneladas mostrou um recuo”, disse Felippe Serigati, pesquisador do FGV Agro, à Folha.
Especialistas apontam que o conflito provocou interrupções logísticas severas. Segundo Celso Grisi, da FEA-USP, houve quedas importantes nas exportações de carne bovina para Qatar, Emirados Árabes e Iraque, enquanto armadores passaram a cobrar “taxas de guerra”. Ele observou ainda que “a rota ao redor da África aumentou os custos de frete e seguros, impactando o fluxo final”.
Do lado das importações, os fertilizantes ganharam destaque. Em março, as compras vindas dos países do Golfo avançaram 268% frente a fevereiro, somando US$ 30 milhões. Segundo a Câmara de Comércio Árabe Brasil, parte dos envios a partir do Qatar foi feita por avião para contornar o bloqueio em Ormuz.





