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‘Afastamento de Andrei Rodrigues é um prêmio para criminosos do Master’, dispara Gleisi

“Afastá-lo do cargo, como fez André Mendonça, é proteger e premiar os criminosos do Master, do INSS, da Carbono Oculto e dos traficantes de drogas que a PF combateu como nunca no governo do presidente Lula”, escreveu Gleisi na rede social...

‘Afastamento de Andrei Rodrigues é um prêmio para criminosos do Master’, dispara Gleisi

Conforme a candidata, “quem investigou os crimes de Daniel Vorcaro e prendeu a quadrilha do Master foi a Polícia Federal comandada pelo diretor-geral Andrei Rodrigues”. 

Candidata ao Senado pelo estado do Paraná, Gleisi Hoffmann (PT) criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça nesta terça-feira (8) após o magistrado determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), André Rodrigues.

O magistrado anunciou a decisão em um contexto no qual estão sendo feitas mais apurações para descobrir mais detalhes da relação de ministros da Corte com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso atualmente por envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras.

“Afastá-lo do cargo, como fez André Mendonça, é proteger e premiar os criminosos do Master, do INSS, da Carbono Oculto e dos traficantes de drogas que a PF combateu como nunca no governo do presidente Lula”, escreveu Gleisi na rede social X.

Conforme a candidata, “quem investigou os crimes de Daniel Vorcaro e prendeu a quadrilha do Master foi a Polícia Federal comandada pelo diretor-geral Andrei Rodrigues”.

Em sua postagem, Gleisi também cobrou investigação sobre a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, e o ex-banqueiro.

Ao criticar o senador da extrema direita, a candidata citou o escândalo do filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro (PL).

“Ao invés de afastar quem investigou e prendeu, André Mendonça tem de abrir o sigilo de toda a investigação envolvendo o banco Master e Vorcaro, inclusive tudo que já foi descoberto sobre as ligações com Flávio Bolsonaro e sua família. Sobre os milhões de Vorcaro para o filme Dark Horse”.

Decisão de André Mendonça

As determinações anunciadas pelo ministro do STF também resultam no afastamento preventivo de Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial da corporação.

A decisão determina a abertura imediata de procedimentos investigatórios criminais e administrativo-disciplinares na Corregedoria da PF para apurar as circunstâncias em que foram produzidos relatórios de inteligência usados para monitorar autoridades.

Mendonça ainda ordenou a suspensão de qualquer produção ou compartilhamento de relatórios de inteligência voltados à análise da atuação funcional de magistrados, da advocacia pública ou da atividade de polícia judiciária.

Segundo a decisão de André Mendonça, o diretor-geral da PF enviou ao ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do Inquérito das Fake News, pelo menos seis “relatórios de inteligência” elaborados de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026.

Guerra no STF

O ministro André Mendonça, do STF, tornou público na última terça-feira (1) material da PF sobre mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. O magistrado não figura formalmente como investigado.

Um dos pontos centrais do material diz respeito ao contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, pertencente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF.

O material divulgado também menciona cartões de crédito do Banco Master emitidos para filhos de Moraes, com limites de até R$ 300 mil. De acordo com as mensagens, o administrador do escritório Barci de Moraes solicitou os cartões, encaminhou o pedido diretamente a Vorcaro e recebeu autorização. O escritório confirmou a emissão, mas informou que os cartões nunca foram utilizados.

Após a determinação envolvendo o material produzido por policiais federais, Alexandre de Moraes decidiu enviar ao presidente do STF, Edson Fachin, relatórios da PF que teriam indicado “fortes indícios” de irregularidades atribuídas a André Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.

Moraes adotou a medida nesta quinta-feira (3), no âmbito do Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news. O ministro também levantou o sigilo da decisão e dos documentos mencionados, além de determinar que a Procuradoria-Geral da República tome ciência do caso.

Depois da iniciativa ligada à investigação de esquemas de notícias falsas, Mendonça encaminhou a Fachin um pedido para afastar Moraes em meio às repercussões do caso Master.
Caso Flávio Bolsonaro

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou um pagamento de US$ 1.666.667 do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o Havengate Development Fund em setembro de 2025. Cerca de quatro meses antes, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o empresário havia interrompido os recursos destinados ao financiamento do filme Dark Horse. A informação consta de reportagem da revista Piauí.

O ex-banqueiro realizou a transferência em 16 de setembro de 2025. O fundo norte-americano administrava recursos direcionados à produção da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O registro do Coaf contrasta com a cronologia apresentada por Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República. O senador havia indicado maio de 2025 como o mês em que Vorcaro teria deixado de realizar os pagamentos relacionados ao projeto cinematográfico.

A movimentação financeira ocorreu cerca de quatro meses depois desse período. O repasse também aconteceu oito dias após Flávio enviar uma mensagem ao então banqueiro para cobrar parcelas que estavam em atraso, de acordo com as informações publicadas pela revista.

Com a operação de US$ 1,67 milhão identificada pelo Coaf, o total de recursos transferidos por Vorcaro para a produção de Dark Horse passou de US$ 10,6 milhões para aproximadamente US$ 12,3 milhões.

Pela cotação da época das transferências, o montante destinado pelo empresário ao projeto superou R$ 65 milhões.

A diferença entre a data mencionada por Flávio e a movimentação registrada pelo órgão de inteligência financeira acrescenta um novo elemento à apuração sobre o financiamento da produção. O dado mostra que o fluxo de recursos ligado ao longa ainda registrou uma transferência milionária em setembro de 2025.

O Havengate Development Fund, destinatário do pagamento identificado pelo Coaf, concentrava recursos voltados ao financiamento da produção nos Estados Unidos.