
Lula destacou que Vargas foi responsável por medidas que estruturaram a proteção social e trabalhista no país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma enfática defesa dos legados de Getúlio Vargas e Leonel Brizola ao participar, na segunda-feira (20), da Convenção Nacional do PDT, que oficializou o apoio do partido à sua candidatura à reeleição. Lula afirmou que nenhum outro presidente brasileiro teve a mesma envergadura de Vargas e reconheceu que o PT errou ao não apoiar o projeto dos Centros Integrados de Educação Pública, os Cieps, implantado por Brizola no Rio de Janeiro.
Ao falar sobre a trajetória do ex-presidente, Lula afirmou que sua avaliação sobre Vargas mudou ao longo dos anos. O petista relatou que, no início de sua vida política, tinha uma visão crítica do líder trabalhista, mas passou a reconhecer sua importância depois de estudar sua atuação no governo.
“Hoje, depois de ler tanto sobre Getúlio, acho que em nenhum momento da história o Brasil teve um presidente da envergadura de Getúlio e que pensasse no Brasil do jeito que ele pensou”, disse.
O presidente também homenageou Leonel Brizola e ressaltou a importância dos Cieps, concebidos para oferecer educação pública em tempo integral, alimentação e atividades complementares a crianças e adolescentes.
Ao tratar do projeto educacional, Lula reconheceu que o PT errou ao não apoiar a iniciativa de Brizola naquele período. Para o presidente, a experiência dos Cieps antecipou uma política que hoje deveria ser adotada em todo o território nacional. “Hoje, todo mundo sabe que esse país não terá solução se a gente não nacionalizar a escola de tempo integral para todas as crianças”
A Convenção Nacional do PDT confirmou o apoio da legenda à candidatura de Lula à reeleição. O presidente do partido, Carlos Lupi, afirmou que a sigla não poderia se aliar a grupos políticos vinculados ao legado da ditadura militar. “PDT jamais poderia estar com os filhotes da ditadura”
“De um lado está Tiradentes — ao qual nós nos filiamos. Do outro está Silvério dos Reis. Quem quiser escolher o lado de Silvério dos Reis, que pague o preço da história”
O dirigente também classificou Lula como um patriota e fez críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cuja atuação associou à família Bolsonaro no Brasil.
“Trump é o grande rival da sociedade moderna. É o que persegue, que faz guerra por interesse financeiro, que está fazendo pelo mundo uma destruição permanente dos princípios democráticos”
“Trump é o atraso, o ódio. Tudo o que ele representa é representado aqui pela família Bolsonaro. Lula pode representar a antítese de Trump. Vai representar, com a sua vitória. Lula é um patriota”
Além de homenagear as principais referências do trabalhismo brasileiro, Lula afirmou que a defesa da soberania nacional e da democracia estará no centro da disputa eleitoral.
“Não há nada mais sagrado neste momento histórico do que a defesa da soberania nacional e a questão da democracia”
“Antigamente, traidor era enforcado porque trair a pátria é algo muito grave. Hoje, temos não um, mas vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir para impor punição ao Brasil”
Lula afirmou ainda que não aceitará novos ataques ao regime democrático e disse que observadores e autoridades estrangeiras poderão acompanhar o processo eleitoral brasileiro.
“Não há possibilidade de a gente permitir que a democracia sofra mais um arranhão”
O presidente citou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, uma das principais autoridades do governo Trump envolvidas nas pressões contra o Brasil.
“Se o secretário de Estado americano, Marco Rubio, quiser vir acompanhar meu adversário, que venha, que monte um comitê. A gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia”
A convenção reuniu parlamentares, dirigentes partidários e pré-candidatos do campo progressista. A ex-deputada Marília Arraes, pré-candidata ao Senado por Pernambuco, defendeu a eleição de uma maioria democrática na Casa para preservar a soberania nacional.
Segundo Marília, o bolsonarismo se associou ao imperialismo “de forma escancarada”.
A pré-candidata ao governo do Rio Grande do Sul, Juliana Brizola, afirmou que os partidos progressistas construíram uma “aliança histórica” no estado. De acordo com ela, a coligação reúne mais de oito partidos e lidera as pesquisas eleitorais.
A senadora Leila do Vôlei, pré-candidata à reeleição pelo Distrito Federal, comparou os anos do governo Jair Bolsonaro com a atual gestão de Lula. Ela afirmou que, durante o governo anterior, o país viveu “inúmeros retrocessos”, enquanto a administração petista buscou reconstruir políticas públicas.
O ex-senador Roberto Requião, candidato a deputado, destacou que a frente de apoio a Lula reúne forças políticas distintas, unificadas pela defesa da democracia. Ele também defendeu que o governo discuta a reestatização da Eletrobras.
“Não é possível que o mundo inteiro reverta privatizações, estatizando empresas, e nós fiquemos tranquilamente acompanhando esse processo de liberalização da economia”
Representando o PCdoB, João Goulart Filho afirmou que as forças democráticas precisam impedir o avanço da extrema direita e cobrar mudanças estruturais de um novo governo Lula.
“Temos, principalmente, que ir contra esse sistema financeiro que aí se encontra judiando do nosso país e dos nossos trabalhadores”





