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PT contesta Flávio Bolsonaro no TSE e aponta uso ilegal de deepfake

O documento rebate o argumento da defesa do candidato da extrema direita de que a irregularidade dependeria da intenção de enganar o eleitor. Para os advogados do partido, a classificação como deepfake decorre das características técnicas do material, independentemente da...

PT contesta Flávio Bolsonaro no TSE e aponta uso ilegal de deepfake

“O deepfake de uso legítimo continua sendo deepfake. A licitude do uso é juízo normativo externo; a natureza da coisa não muda conforme o rótulo que se lhe aponha”, afirmaram os representantes do PT.

O PT apresentou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) uma manifestação na qual sustenta que o vídeo produzido por inteligência artificial com a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro, exibido pela campanha de Flávio Bolsonaro, deve ser considerado ilegal mesmo com a identificação do conteúdo como uma simulação. As informações são do g1.

Protocolado na noite de quarta-feira (12), o documento rebate o argumento da defesa do candidato da extrema direita de que a irregularidade dependeria da intenção de enganar o eleitor. Para os advogados do partido, a classificação como deepfake decorre das características técnicas do material, independentemente da finalidade atribuída à produção.

“O deepfake de uso legítimo continua sendo deepfake. A licitude do uso é juízo normativo externo; a natureza da coisa não muda conforme o rótulo que se lhe aponha”, afirmaram os representantes do PT.

Deepfakes são conteúdos produzidos ou manipulados digitalmente para reproduzir ou alterar a imagem e a voz de uma pessoa. No processo eleitoral, o debate envolve os limites para o emprego dessa tecnologia em materiais destinados a beneficiar ou prejudicar candidaturas.

Segundo a equipe jurídica do PT, a divulgação institucional realizada pelo próprio tribunal após a aprovação da resolução deixou explícito o alcance da proibição.

“A comunicação institucional do Tribunal não deixou margem a dúvida sobre o que se aprovava. A notícia oficial registrou que a candidata ou candidato que usar deepfake poderá ter o registro ou o mandato cassado”, declarou a defesa do partido.

Os advogados também argumentaram que Nunes Marques, presidente e relator do processo no TSE, preservou a redação da regra durante a elaboração das resoluções destinadas a orientar as eleições deste ano.

“O que o parecer pede a este Juízo por via hermenêutica é, precisamente, o que o Plenário desta Corte, em sede regulamentar própria e provocado a tanto, recusou há cinco meses”, sustentou a equipe jurídica do PT.

A contestação foi apresentada às vésperas de uma reunião interna dos ministros do TSE sobre o uso de inteligência artificial no processo eleitoral. O encontro está previsto para esta quinta-feira (13), no gabinete de Nunes Marques, depois da sessão plenária marcada para as 10h.

O debate foi impulsionado pelo vídeo exibido em 25 de julho, na convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. O material recorreu à inteligência artificial para simular um pronunciamento de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.