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Berzoini avalia que Lula errou ao escolher Galípolo para o Banco Central

Berzoini analisou a conjuntura econômica, a capacidade de mobilização do PT, o reposicionamento da direita e os desafios geopolíticos que o Brasil deverá enfrentar no próximo ciclo eleitoral.

Berzoini avalia que Lula errou ao escolher Galípolo para o Banco Central

Berzoini foi taxativo ao apontar a escolha de Gabriel Galípolo como um erro político de Lula e de Fernando Haddad. Segundo o ex-ministro, a permanência de uma visão ortodoxa na direção do Banco Central impede que o governo colha os frutos de seus esforços na economia real.

O ex-ministro Ricardo Berzoini avaliou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cometeu um erro estratégico ao indicar Gabriel Galípolo para a diretoria do Banco Central, com vistas à sucessão no comando da instituição. Na visão do ex-presidente do PT, a manutenção de juros elevados trava o crescimento econômico, alimenta a concentração de renda e pode comprometer o ambiente político e social às vésperas das eleições de 2026.

As declarações foram dadas na entrevista ao programa “Horta da Verdade – Cenários de 2026”, apresentado por Fernando Horta na TV 247. Ao longo da conversa, Berzoini analisou a conjuntura econômica, a capacidade de mobilização do PT, o reposicionamento da direita e os desafios geopolíticos que o Brasil deverá enfrentar no próximo ciclo eleitoral.

Ao tratar da política monetária, Berzoini foi taxativo ao apontar a escolha de Gabriel Galípolo como um erro político de Lula e de Fernando Haddad. Segundo o ex-ministro, a permanência de uma visão ortodoxa na direção do Banco Central impede que o governo colha os frutos de seus esforços na economia real.

“Eu acho que o Lula errou e o próprio Haddad errou, que foi nomear o Galípolo, que é uma pessoa que vem da Faria Lima”, resumiu, ao criticar a postura do atual comando do BC, que mantém juros muito acima das necessidades da economia. Para Berzoini, a condução da política monetária transfere “bilhões e bilhões” de recursos dos endividados e do próprio Estado para os rentistas, produzindo o que classificou como um “crime contra o país”.

Ele lembrou que, em vários momentos da história, o Brasil conviveu com taxas de juros descoladas da realidade econômica e destacou o impacto direto desse quadro sobre trabalhadores, famílias e pequenos negócios: juros altos encarecem o crédito, comprimem a renda, inviabilizam investimentos e reforçam a desigualdade.

Berzoini chamou atenção para a combinação explosiva entre juros reais elevados e calendário eleitoral. Mesmo reconhecendo que o governo Lula conseguiu recuperar empregos e impulsionar investimentos via PAC e políticas sociais, ele demonstrou preocupação com o cenário do ano eleitoral.

Na avaliação do ex-ministro, se o Banco Central optar por reduzir a taxa básica de forma lenta e tímida, o país pode chegar a 2026 com crescimento baixo e mercado de trabalho perdendo fôlego. Essa desaceleração, advertiu, tende a alimentar o desalento do eleitorado em um momento decisivo.

Ele citou o peso dos juros na dívida pública para mostrar a dimensão do problema: segundo Berzoini, o déficit nominal gira em torno de 8% do PIB, dos quais cerca de 7,5% estão ligados ao pagamento de juros e à rolagem da dívida, enquanto o déficit fiscal efetivo é muito menor. Nesse contexto, o chamado “rombo” usado para pressionar cortes em políticas sociais é, na prática, o custo da opção por juros elevados.

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